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Como surgiu o Bike Curitiba

Revista Bicicleta por Eduardo Emmerick
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19/10/2013
Como surgiu o Bike Curitiba
Foto: Eduardo Emmerick

Em dezembro de 2010, dois amigos tiveram a ideia de comprar bikes e sair pedalando pelas ruas de Curitiba. A ideia era pedalar por prazer mesmo. Era uma desculpa para estarmos juntos e conversar, trocar experiências do dia a dia e curtir a nossa boa amizade. Decidi me dar de presente uma bicicleta nova: fiz o melhor investimento que poderia fazer em minha vida. Comecei a entender a importância de utilizar todos os itens de segurança e sinalizar ao utilizar a rua para pedalar. Passei a estudar sobre o Código de Trânsito Brasileiro, conhecer melhor a mecânica e manutenção de uma bicicleta, aprendi a pedalar nas ruas sem medo dos carros e ter conforto ao pedalar. Foi então que eu e esses dois amigos criamos um grupo de pedal e passamos a agendar encontros e percursos em uma comunidade criada no Facebook. Após os passeios, postávamos as fotos de onde fomos pedalar e isto despertou o interesse em vários amigos. Comecei a me dedicar mais ao pedal e a ajudar aqueles que tinham vontade de sentir o prazer que é sair por aí pedalando.

Eduardo Emmerick

Minha relação com a bicicleta vem desde a infância, no tempo em que eu morava em Astorga-PR, uma cidade pequena onde a bicicleta era um veículo comum. Lembro-me bem de o quanto eu brincava pelas ruas com meus irmãos e amigos, pedalando pelos bairros e praças. São histórias e peripécias que lembramos e contamos até hoje quando nos reunimos. Tínhamos uma Caloi, uma Monareta e uma BMX.

Em 1992, por conta do trabalho do meu pai, fomos morar na cidade de Timbiras - MA, cidade pequena e de poucos carros, a bicicleta também era o veículo mais utilizado para se locomover. Ganhamos bicicletas novas - diversão garantida.

Em 1994, aos 13 anos, fomos morar em Foz do Iguaçu - PR, que por ser uma cidade grande e aparentemente perigosa, inibiu o nosso pedal. O mesmo aconteceu em Curitiba - PR. Foi um período em que a bicicleta não esteve tão presente. 

Quando comecei a fazer faculdade de Filosofia e Letras, em 2001, dada a pouca distância da minha casa até a faculdade e a dificuldade de um transporte público rápido, a bicicleta voltou a ser uma boa opção. Durante o curso comecei a trabalhar como professor de filosofia em uma importante rede de ensino privado de Curitiba. Eu saía da faculdade de bike e ia até o trabalho. Era mais rápido do que ônibus.

Reconheço que eu não sabia da importância de usar os itens de segurança, como capacete, luvas e iluminação. Pedalava usando jeans e mochilão nas costas. Também pedalava em espaço inapropriados para ciclistas, como caneleta de ônibus, calçadas, calçadão da Rua XV etc. Não tinha consciência do risco que eu corria. Um dia, um guarda municipal me chamou a atenção no calçadão da Rua XV, disse que era proibido andar de bicicleta por ali e que eu tinha que empurrar. 

O medo de andar pelas ruas da cidade fez com que eu parasse de usar a bike e fiquei a pé e de ônibus. Minha rotina mudou. Tive que alterar horários de aula para adequar à jornada de trabalho. Fiquei sem utilizar a magrela de 2004 até novembro de 2010. Não imaginava que a bicicleta voltaria à minha vida...

Em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, dediquei todos os dias das minhas férias para realizar passeios dentro e fora de Curitiba. Atingimos a marca de 600 ciclistas nos grupo. Nem todos pedalavam com a gente, porém, sempre havia um grupo de 15 a 20 ciclistas nos eventos. Era mais um grupo de amigos que saía a pedalar com a gente. Porém eu queria algo maior, um projeto ousado. Não somente pedalar com os amigos, queria poder ajudar de fato quem está começando e tem medo, mas muita vontade. E eu tinha a facilidade para orientar, ensinar e liderar, então, acabei saído do grupo para criar uma frente nova.

Bike Curitiba

Em julho de 2012 o meu projeto começou, com a criação do grupo Bike Curitiba. A ideia era trazer para Curitiba um conceito novo, uma proposta diferente, algo que mudasse a vida e rotina das pessoas e, ao mesmo tempo, contribuísse para o bem-estar da cidade, uma nova consciência e educação. Dada a minha formação em filosofia, acredito que se realmente queremos mudar algo, devemos ter uma atitude real de amor, carinho e sabedoria. Cuidar da cidade é cuidar da nossa própria casa. Temos que saber zelar pelos espaços coletivos. Enquanto vivermos de forma individualista e egoísta, a cidade e todos os que habitam nela não serão felizes. É preciso nos doar integralmente para o bem-estar da cidade. Estando ela bem, todos estarão bem e felizes. E foi com esse espírito que tive a ideia de fundar o grupo Bike Curitiba, um espaço onde as pessoas pudessem aprender a pedalar, mas que encontrassem ali um novo ciclo de amigos, uma nova roda de bate-papo, uma possibilidade de aprenderem e ensinarem o que sabem, de revelar quem elas realmente são, um lugar que fosse considerado uma segunda família.

Para dar início ao projeto Bike Curitiba, escolhi trabalhar nas praças. Escolhi, preferencialmente, a Praça da Espanha. Duas razões: primeiro, pela facilidade do acesso que as pessoas teriam para chegar com a bicicleta e por ser um lugar de grande movimento (despertaria a curiosidade e vontade de muitas pessoas); segundo, por ali estar localizado um farol do saber. Percebi que vincular o conhecimento à prática física seria uma proposta interessante. Se pensarmos, por exemplo, na origem e nascimento da filosofia, minha área de formação e trabalho, ela começou na praça. 

O filósofo Sócrates, na Ágora (principal Praça em Atenas), praticava suas reflexões sobre as questões éticas e políticas que envolviam a cidade de Atenas. Pensava sobre o bem da cidade. Outro filósofo grego, Platão, também propôs o ideal de cidade. Em sua obra, A República, ele relata sobre a importância de termos um bom governante, mas também de educar a cidade. E não bastava somente educar com bons conhecimentos e valores, era preciso a educação do corpo, a educação física. E somente com a mente sã e o corpo são que se obteria o homem íntegro. Desse modo, a cidade seria virtuosa e feliz, simplesmente porque todos se envolveriam com a cidade e zelariam pelo bem-estar dela. Foi pensando como os filósofos antigos que eu decidi criar dentro do grupo Bike Curitiba o projeto “Bike Escola Curitiba” e ensinar, voluntariamente, os ciclistas iniciantes a pedalar pelas ruas da cidade. Assim, educaria os ciclistas novatos, os motoristas e pedestres, contribuindo para a transformação da realidade do trânsito de Curitiba.

Como funciona o projeto Bike Escola Curitiba?

Primeiramente, o “Bike Escola Curitiba” acontece aos sábados, às 14 h 30 min, na Praça da Espanha. Esse projeto é para todos que tenham mais de 15 anos de idade. Basta o interessado comparecer na praça com sua bicicleta, capacete e luvas e terá a aula teórica e prática. É uma ação voluntária e aberta a todos que gostam de pedalar e curtir a vida sobre duas rodas. Esse é um espaço para todos os ciclistas e, em especial, o ciclista aprendiz, aspirante, iniciante etc. O evento somente não acontece quando chove ou tenha previsão de chuva. 

Dicas de conduta ao ciclista iniciante

Para você que deseja começar a usar a bicicleta como lazer ou meio de transporte, vale ficar atento a algumas dicas:

- Faça uma pesquisa antes de comprar sua bicicleta. 
- Converse com outros ciclistas que conhecem sobre bicicleta.
- Adquira os itens de segurança: capacetes, luvas e iluminação.
- Compre uma garrafa de água. É importante manter-se hidratado.
- Carregue na mochila o kit de chaves da bicicleta, câmara reserva e kit reparo.
- Para uma emergência, tenha um kit primeiros socorros.
- Siga as normas do Código Brasileiro de Trânsito.
- Prefira aprender a pilotar em um parque.
- Jamais tente aprender sozinho na rua.
- Conheça previamente o trajeto.
- Ocupe as faixas da direita. Não é lei, mas se a bicicleta for considerada um veículo lento ela deve seguir a norma para os demais modais desse tipo.
- Não trafegue na calçada. Se for realmente preciso, faça o trajeto desmontado.
- Não use a caneleta de ônibus.
- Não trafegue na contramão.
- Não fure o sinal vermelho.
- Evite as grandes avenidas.
- Ande sempre bem sinalizado.
- Evite roupas escuras.

Lembre-se! No trânsito da cidade o pedestre e o ciclista são os mais frágeis. É preciso cautela e atenção para que ninguém venha se machucar ou perder a vida. Não são poucos os ciclistas que desrespeitam essas regras simples e fáceis de obedecer. É preciso estar prevenido para qualquer incidente. A falta do uso do capacete, por exemplo, é extramente arriscado. Numa queda, a cabeça é uma das partes que sofre o impacto com o chão, e o traumatismo craniano é um dos fatores mais recorrentes da morte de ciclista. Por isto, não deixe de atentar para dicas tão preciosas.

E para quem gosta de pedalar em grupo, por se sentir mais seguro, também vale algumas orientações:
- Sempre estabeleça um líder e auxiliares para guiar o grupo.
- Fique atento às orientações do líder e auxiliares.
- Mantenha o grupo bem unido.
- Mantenha em uma única faixa da rua formação "dois a dois".
- Compartilhe a via com os carros quando houver pouco espaço.
- Respeite o pedestre.
- Não seja agressivo com os motoristas.
- Procure beber água e mantenha-se hidratado.
- Pedale com prazer, segurança e conforto.

Basicamente, o curso funciona em dois tempos. Primeiro, eu realizo a aula teórica, que tem duração de 20 minutos, e depois vamos para a aula prática nas ruas da cidade.

Na aula teórica, o ciclista iniciante aprende como desenvolver habilidades e competências necessárias, tais como: Conhecimento das partes e componentes da bicicleta; Posicionamento, destreza e equilíbrio; Itens de segurança; Informação sobre hidratação e alimentação; Vestimenta específica; Técnicas de frenagem; Manutenção e Mecânica da bike; Legislação CTB (Código de Trânsito Brasileiro).

Já na aula prática, com duração de até duas horas, enquanto pedalamos pelas ruas, o iniciante vai aprender a: Sinalizar corretamente; Posicionar-se na via; Respeitar a faixa de pedestre; Parar no semáforo; Aplicar as leis de trânsito; Fazer curvas com a bicicleta; Troca de marchas; Técnicas para subidas e descidas; Técnica para transpor obstáculos.

Essas aulas auxiliam o ciclista iniciante a pedalar com conforto e segurança. Mas vale lembrar que não basta apenas uma única aula. O ciclista novato precisa ganhar experiência e confiança, não pode ser imprudente e acreditar que por ter tido uma única orientação já pode se aventurar pela cidade. É recomendável que primeiramente procure alguém que já pedale e que possa o acompanhar pelas ruas até que tenha experiência suficiente para sair pedalar sozinho. Outra dica é sempre fazer uso das ciclovias e parques da cidade.

A utilização das bicicletas como meio de lazer e transporte tem se tornado uma rotina e hábito nas cidades. A magrela influencia nas questões de mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida. Muitos médicos orientam a utilização da bicicleta para pessoas que praticam poucos exercícios físicos diários. Pedalar também alivia a tensão e o estresse. Quem pedala ganha saúde, amigos e passa a se conhecer melhor.

Tenho muitos amigos que começaram a pedalar para emagrecer e teve quem perdeu até 10 kg. Muitos abandonaram o vício do cigarro, mudaram a alimentação e passaram a comer melhor e com mais qualidade. Melhoraram a autoestima. Outros perderam a timidez e passaram a se relacionar melhor com a família, no trabalho e com pessoas estranhas. No trabalho, passaram a ter um melhor desempenho e rendimento. A bicicleta mudou a vida e a rotina das pessoas para melhor. São pessoas felizes. 

Espero que mais pessoas possam experimentar esses benefícios que somente a bicicleta pode proporcionar. O Bike Curitiba tem uma programação de passeios e eventos realizados quase que diariamente. O ciclista interessando deve acompanhar as informações e confirmar sua presença nos eventos e passeios através da comunidade do Bike Curitiba nos endereços:

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