REVISTA BICICLETA - Cobra na Trilha - O que fazer em situações de perigo?
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Cobra na Trilha - O que fazer em situações de perigo?

Uma das coisas que faz o mountain bike tão divertido é o contato com a natureza. Esse meio é relaxante e permite experiências únicas. Algumas, porém, podem ser perigosas. Sabe o que fazer se der de cara com uma cobra venenosa, por exemplo? Essa matéria foi baseada em informações provenientes de órgãos oficiais e pesquisadores da área, para lhe ajudar a saber o que fazer em uma situação dessa.

Revista Bicicleta por / Pietro Battisti Petris
41.216 visualizações
13/06/2018
Cobra na Trilha - O que fazer em situações de perigo?

Diferentes de seus velhos parentes dinossauros, as cobras não são répteis gigantes e barulhentos. Mas isso não faz delas seres menos perigosos. Elas aprenderam que tamanho não é documento, mas que camuflagem, química e ‘tecnologia avançada’ podem compensar praticamente qualquer desvantagem de tamanho ou número.

Essas caçadoras sofisticadas usam sensores de calor para localizar presas há milênios, antes mesmo dos humanos imaginarem que isso fosse possível. Somada com seu olfato e capacidade de identificar vibrações vindas de todo o seu corpo (e portanto, do solo) com auxílio de um ouvido interno, as cobras compensam sua visão ruim para identificar e localizar precisamente seus alvos. Suas cores podem torná-las praticamente invisíveis ou advertir os inimigos de que elas são perigosas. E ainda há o veneno, complexas composições químicas capazes de paralisar e matar presas em minutos.

Conceito correto

Infelizmente, a maioria das pessoas considera as cobras como uma ameaça em qualquer circunstância, e muitas acreditam que toda cobra encontrada deve ser morta, mesmo na natureza. Mas cobras não são assassinas descontroladas. Acostumadas com um mundo hostil, elas estão sempre prontas para se defender. Mas essa é a questão – elas mordem seres humanos por que se sentem ameaçadas por eles. Sempre que possível, elas fogem.

É importante lembrar mais uma vez que nem todas as cobras são venenosas. Mesmo as que possuem veneno nem sempre o injetam quando se defendem. Muitas espécies sabem da preciosidade do líquido destrutivo que produzem, e priorizam seu uso para as caçadas. Assim, muitas vezes dão mordidas secas – picadas que assustam, mas que não injetam veneno. 
Muitas cobras também fazem o que podem para avisar intrusos de que, se eles se aproximarem, elas serão obrigadas a atacá-los. Isso deixa claro que seu objetivo não é ferir qualquer ser vivo que veem pela frente. Portanto, você pode considerar o chocalho de uma cascavel, o silvo de uma jiboia ou o som do atrito das escamas de uma víbora-de-chifre como uma boa ação da parte delas. Afinal, quem avisa, amigo é.

O que fazer ao encontrar uma cobra

Antes de qualquer outra coisa, mantenha a calma. Para alguns é fácil, para outros é mais complicado. De qualquer forma, evite movimento bruscos, que podem soar ameaçadores para a serpente.

Em uma trilha fica complicado chamar os bombeiros para tirar uma cobra da sua frente, mas se você encontrar uma cobra em uma área urbana, essa é a melhor opção. Na trilha, a melhor opção é esperar a cobra seguir seu caminho. Lembre-se de não obstruir o caminho dela, e muito menos a encurralar. Isso pode deixa-la muito, mas muito agressiva. Permaneça a uma distância segura. Isso varia de cobra para cobra, mas faça o possível para manter no mínimo três metros de distância. Não tire os olhos da cobra até que ela vá embora.

Muito próximo de um bote

E se você esbarrar com a serpente próximo o suficiente para que o bote o alcance? Primeiro, fique imóvel por uns instantes. Depois, muito lentamente (muito) se afaste da serpente. Lembre-se que um movimento brusco pode fazer com que ela te ataque.

Trate toda cobra como venenosa. Isso prevenirá acidentes com qualquer cobra. Mantenha seus níveis de atenção e cuidado no máximo. Não dê as costas para a serpente. Fique de olho nela, assim como ela vai estar atentamente de olho em você.

Não provoque!

Seja durante ou depois do encontro, não provoque a serpente. Cada um deve seguir seu caminho. Não cutuque, jogue pedras ou faça movimentos ameaçadores. Algumas espécies demonstram comportamento naturalmente mais agressivo, que vai além da defesa, podendo até mesmo avançar e perseguir quem as ameace.
Mesmo que a cobra não seja venenosa, ela pode te morder. E essa mordida pode gerar infecções, além da dor dos ferimentos.

"Se você respeitar a cobra, ela vai respeitar você". 

 

Na pior das hipóteses

Fui picado! E agora? Mais uma vez, mantenha a calma – falar parece fácil, mas é necessário se esforçar. A grande maioria dos incidentes com cobras não são letais. Quando alguém morre por picada de cobra, geralmente levou muitas picadas ou já estava debilitado antes de ser mordido. Além disso, o veneno costuma levar um bom tempo para causar danos maiores. Em muitos casos o soro é aplicado mais de dez horas depois do acidente. E em outros casos, pessoas que nem recebem soro se curam! Então, se você é um ciclista saudável, siga as instruções abaixo que tudo ficará bem.

O veneno da maioria das cobras se espalha pelo sangue, portanto, não corra, não pule – não faça nada que acelere sua circulação sanguínea, ou o veneno pode alcançar áreas vitais. Isso não significa que o veneno acompanha o sangue aonde quer que ele vá. Ele tende a ir parando e agindo nos tecidos – ainda mais por que ele coagula o sangue – e não costuma ir longe. A não ser que você acelere seus batimentos.

Também não siga o outro extremo: trancar a circulação do sangue. Deixe as coisas correrem naturalmente até conseguir socorro. Se você trancar a circulação com um torniquete, o veneno vai se concentrar numa área específica, podendo causar graves danos ao membro atingido.

Não jogue pó de café, cachaça, querosene, teia de aranha ou qualquer outra coisa no ferimento. Esses procedimentos da sabedoria popular só pioram o problema. Não sugue o veneno de volta com a boca, ele pode causar danos na boca, que é um local com tecido sensível.

Mantenha o membro atingido em uma posição mais alta. Se possível, permaneça deitado. Remova anéis, pulseiras, roupas justas ou que estejam perto do local da picada, visto que ocorrerá inchaço. Mantenha-se hidratado e lave o local da picada com água ou água e sabão. Busque ajuda e vá para um local de atendimento médico imediatamente.

Mitos e Verdades sobre as cobras  

O veneno das cobras fica no rabo. Mito. A sabedoria popular nos diverte com algumas ideias bem engraçadas, e essa é uma delas. O veneno das cobras fica em duas bolsas nas laterais da cabeça, cada bolsa alimentando uma das presas inoculadoras. Não faria sentido bombear o veneno da cauda até as presas.

Cobras são imunes ao próprio veneno. Verdade. Se você alguma vez ouviu uma história de uma cobra que picou a si mesma e morreu, já sabe... 

Cobras podem hipnotizar suas presas. Mito. Mais uma pérola da sabedoria popular. Muitas presas, ao esbarrarem com uma cobra, ficam apavoradas e travam, ou ficam estáticas, prontas para se defenderem. E o medo pode fazer isso com um ser humano também. As próprias cobras, quando ameaçadas, ficam estáticas. Não há hipnose na jogada.

Cobras mamam no gado ou em mães lactantes. Mito. Essa foi caprichada! Cobras são répteis, não mamíferos. Sua boca e dentes não permitem que elas suguem líquidos. Essa crença surgiu da lenda de um marido que chegou em casa, encontrou uma cobra ao lado da esposa lactante, e ao matá-la, leite coalhado saiu de dentro da cobra. O que acontece é que as cobras possuem uma gordura corporal branca, que realmente lembra leite coalhado. A partir disso, muitos afirmam ter visto cobras mamando em vacas.

Cobras podem se arremessar contra suas presas. Mito. O bote de uma cobra geralmente usa um terço do corpo. Existe uma espécie de cobras que consegue pular de uma árvore para outra, e por isso é conhecida como cobra-voadora. Mas ela não usa essa habilidade para dar botes.

Uma vez picado, o ser humano desenvolve imunidade ao veneno. Mito. Se fosse assim, todos receberíamos uma vacina contendo um pouco de veneno de cobra e seríamos imunes. Não haveria por que fabricar soro. O que pode acontecer é uma maior resistência do sistema imunológico por um breve período, mas isso não o tornaria à prova de cobras.

As cobras são surdas. Essa é complicada. Apesar de não possuírem ouvidos externos, elas usam as vibrações recebidas pelo corpo e as decodificam em um ouvido interno. Isso permite sentir vibrações específicas, como o caminhar de uma presa no chão e outras vibrações recebidas no corpo pelo ar. É claro que não ouvem como nós ouvimos. Se você fizer um barulho (um grito, por exemplo) não chamará atenção de uma cobra. Mas se pisotear o chão, provavelmente ela entrará em alerta.

Cobras podem ser hipnotizadas com o som das flautas. Mito. Se elas não ouvem as frequências emitidas pela flauta, como isso poderia influir nelas? O que acontece é que elas seguem o movimento da flauta, pois estão prontas para dar um bote e fazer mais dois furinhos nela. Há uma fase de treinamento no qual o ‘hipnotizador’ mostra para a cobra que atacar a flauta não adianta nada.

Identificando a cobra para receber o soro

Para receber o soro correto, os médicos precisam saber que espécie picou você, visto que existem muitos tipos de veneno. O ideal seria levar a cobra até o centro médico, mas isso deve ser feito por um profissional, então é melhor achar outro jeito. Você terá de observar a cobra e descrevê-la. Se possível, cuidadosamente tire uma foto ou filme a cobra. Se for descrevê-la, precisará dizer:

- A coloração da cobra. Ela tinha manchas? Como eram as manchas? Qual a cor predominante?
- Aspectos do corpo da cobra. A cabeça dela era arredondada ou tinha formato de ponta de flecha? O corpo era liso ou escamado? A ponta da cauda era fina ou grossa? Ela tinha um chocalho na cauda?
- O local em que você foi picado. Floresta? Areia? Rochas? Como era o lugar?
- Marque a hora em que você picado. Essa informação é muito importante para os médicos.
- E se você não teve como identificar a cobra? Calma. Existe um soro polivalente, que age para praticamente qualquer veneno. Mesmo não sendo específico, ele vai ajudar.

Prevenção

Cobras não costumam ficar paradas no meio de trilhas. Elas provavelmente passam por essas trilhas todos os dias, mas não é um local que as atrai. Como ninguém pedala de botas e proteções nos braços, as prevenções são diferentes das recomendadas para quem caminha no mato. As chances de ser picado andando de bike são baixas.
Não ande no mato ao redor das trilhas. Se fosse fazer isso, teria de usar botas de cano longo para proteger as pernas e usar proteções para os braços. Não mexa em pilhas de galhos e folhas. Cobras amam esses lugares. Não mexa em buracos, e muito menos coloque a mão neles!

Sua melhor prevenção são outros seres humanos. Não pedale sozinho. E ainda assim, tenha sempre como chamar alguém ou pedir socorro – a comunicação pode ser o melhor antídoto. Tenha sempre água consigo. Não há como carregar soro antiofídico para lá e para cá, pois eles precisam ser armazenados em baixas temperaturas e precisam de dosagem e manuseio corretos.

Siga pedalando!

Se você respeitar a cobra, ela vai respeitar você. Não fira ou mate a cobra. Isso não vai adiantar de nada, será uma maldade para com o animal, e ainda, um crime ambiental, punível com detenção sem direito à fiança. Além disso, a medicina tem descoberto substâncias farmacêuticas no veneno de muitas cobras. Isso não poderá ir adiante se elas deixarem de existir.

Mas não faça da presença de cobras uma preocupação ao pedalar. Muitos ciclistas que pedalam há tempo em trilhas mal conseguiram ver algumas cobras. O que nós queremos é que você saiba como agir em um caso desses!

 

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