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Ciclistas bonequeiros: teatro e bicicleta

Usando como suporte a bicicleta, um grupo de artistas que pesquisa o teatro de animação, busca resgatar a memória da arte circense de maneira democrática, circulando por qualquer lugar e permitindo que qualquer pessoa assista, unindo arte, consciência urbana e sustentabilidade.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
34.865 visualizações
18/10/2013
Ciclistas bonequeiros: teatro e bicicleta
Foto: Divulgação

Um ator condutor e manipulador de bonecos chega com sua bicicleta. Há uma caixa acoplada na parte traseira ou dianteira, e ele circula pelos parques de São Paulo. De repente, ele para e uma menina se aproxima. Ela nem pisca. Seus olhos estão fixos, atentos a tudo o que ocorre lá dentro da caixa. Os fones de ouvido a fazem imergir na história que ocorre lá dentro, em um minipalco... Essa cena é recorrente aonde eles chegam, com uma caixa na garupa, em qualquer lugar, tal qual os circos que escolhem uma comunidade e a encantam com os seus espetáculos. A bicicleta leva os Ciclistas Bonequeiros para os parques de São Paulo, onde o grupo faz apresentações de teatro de animação. 

O grupo Ciclistas Bonequeiros explora especialmente o teatro lambe-lambe, modalidade inspirada nos antigos fotógrafos que saíam dos estúdios e circulavam pelas praças do Brasil, onde estariam mais acessíveis a quem quisesse um retrato. A ideia dos ciclistas também é sair do espaço teatral convencional e ir para as praças e parques, proporcionando uma experiência lúdica única a apaixonados por teatro e também a transeuntes curiosos que, muitas vezes, têm ali o seu primeiro contato com a arte teatral.

Gustavo Guimarães Gonçalves é o idealizador e diretor do grupo. Ele fez parte do primeiro Núcleo de Dramaturgia do SESI, em 2008 e 2009, cursou Cinema Digital na Melies Escola de Cinema, trabalhou como educador teatral, formou-se em Humor na SP Escola de Teatro e atualmente cursa Direção na mesma instituição. O desejo de unir os seus dois amores - andar de bicicleta e fazer teatro - o inspirou para articular o grupo desta forma. “A ideia surgiu em 2011. Escrevemos um projeto para o edital do programa VAI, da prefeitura de São Paulo, que beneficia projetos para a periferia, e ele foi contemplado. Isso forneceu uma infraestrutura para o grupo e uma grande experiência de apresentações pela cidade. A técnica de teatro de bonecos que utilizamos foi inspirada nas formas de se fotografar antigamente, em que o fotógrafo ficava debaixo do pano para assim conseguir o retrato que desejava. Eu trabalho com intervenções na rua e optei por este estilo que permitia utilizar a bicicleta como transporte e palco”, afirma.
Basicamente, o teatro lambe-lambe consiste em pequenas caixas cênicas e dentro delas é contada uma história. Uma pessoa de cada vez assiste ao espetáculo que ocorre neste minipalco. “Por enquanto, com esta estrutura técnica do já explicado lambe-lambe, uma pessoa por vez assiste a apresentações de três a cinco minutos em caixas com histórias diferentes. A   pessoa coloca o fone de ouvido e ‘espia a história’. Tudo é em miniatura. Nós escolhemos o tema na maioria das vezes, mas já vendemos uma apresentação com temática específica para uma empresa”, explica o idealizador do projeto.

As apresentações dos Ciclistas Bonequeiros, além de democratizar a arte teatral, também procura  inspirar o uso da bicicleta como possibilidade de transporte. “Quando o projeto começou, ainda não existiam os aluguéis de bicicletas nem a Ciclofaixa na Avenida Paulista. Desejamos que essas mudanças não sejam as únicas para os ciclistas na cidade. Estamos na luta dos ciclistas, queremos trabalhar todos os dias com bicicletas, queremos andar tranquilamente com o respeito e a distância que deve existir entre carro e bicicleta”, diz Gustavo. 

Atualmente, as apresentações acontecem principalmente aos domingos, já que os integrantes do grupo são de lugares distintos e muitas vezes precisam utilizar trens e metrôs como transporte complementar à bicicleta. Os Ciclistas Bonequeiros se apresentam em parques distintos, como o Parque da Luz, no centro de São Paulo, Parque Santos Dias, na zona sul, Villa-Lobos, na zona oeste, além de eventos de ciclismo, festivais teatrais e praças.

Neste ano, o grupo pretende homenagear a arte circense, que tanto os inspira. A intenção é pesquisar e entrevistar antigos artistas de circo que frequentavam o Café dos Artistas, no Largo do Paissandu, em São Paulo, e com base nisso produzir e apresentar caixas relacionadas ao tema. Conforme consta nos objetivos do projeto, “o resgate da memória da cidade de São Paulo é importante para o grupo, já que buscamos valorizar o espaço da cidade como espaço de convivência, assim como faziam esses artistas antigamente; e também a revalorização de espaços hoje esquecidos e degradados, como o Largo do Paissandu”.
A iniciativa dos Ciclistas Bonequeiros em unir o teatro de bonecos com a bicicleta merece reconhecimento, pois dessa forma, o público se sente atraído e o universo artístico e saudável torna- se mais acessível, estimulando por um lado o uso de bicicletas e humanização das cidades, e por outro a cultura e arte do teatro.

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