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Caravelas sul da Bahia

Revista Bicicleta por Felipe Caire
36.214 visualizações
24/01/2013
Caravelas sul da Bahia
Foto: Felipe Caire

Prosseguindo com nossa Expedição Velejando e Pedalando levantamos a âncora, içamos as velas e traçamos nosso rumo para Vitória. De Cabo Frio a Vitória tínhamos pela frente o difícil Cabo de São Tomé, um local onde os ventos chegam facilmente aos 35 nós, a correnteza aos três nós e, para complicar a vida dos velejadores, as ondas aos 3,5 metros.

Nossa passagem não foi das mais tranquilas, mas com um pouco de paciência e perseverança vencemos mais um desafio e fundeamos em Vitória. Era a esperada hora de desempacotarmos nossas bicicletas e irmos pedalar pela cidade!

Estudamos o roteiro e nos preparamos para dividir o espaço com os carros, ônibus e caminhões, já que a cidade não possui nenhuma ciclovia. Escolhemos como destino o Convento da Penha, que ficava a menos de 25 km. Para nossa decepção ao chegarmos na guarita do Convento recebemos a informação que é proibido o acesso de bicicletas, mas permitido para todo veículo motorizado. Essa foi nossa deixa para embarcarmos nossos tripulantes e seguirmos viagem. Próximo destino: Caravelas, sul da Bahia. Muitas baleias Jubarte, águas quentes e limpas pela frente.

Velejamos pouco mais de 250 km, uma travessia muito mexida, com ondas muito desencontradas, mas como fator essencial para nós que velejamos, o vento. Depois de vencida a barra, adentramos em um cenário completamente diferente. Um braço de rio com águas calmas e as margens tomadas de vegetação nativa. Fundeamos nosso veleiro próximo ao píer de Caravelas e tiramos o resto do dia para arrumarmos o interior e descansarmos um pouco.

Caravelas, assim como várias outras cidades da Costa do Descobrimento na Bahia, é imersa em diversas controversas quanto a sua descoberta. Os relatos mais antigos datam de 1503, quando uma expedição de Américo Vespucci e Gonçalo Coelho desembarcaram na região e deixaram-na fortificada com apenas 24 homens. O paradeiro desses homens desapareceu juntamente com a história da região. Somente em 1610 a cidade de Caravelas foi definitivamente povoada.

Montamos as bicicletas e fomos para um passeio de reconhecimento da cidade. Ficamos impressionados com a quantidade de bicicletas da região e com o respeito dos motoristas pelas “magrelas”. Nos sentimos seguros e com vontade de conhecer melhor a região. 

No dia seguinte saímos cedo do veleiro e fomos pedalar. Saindo do centro de Caravelas paramos num hortifruti e abastecemos nossas bicicletas com frutas frescas e água de coco em nossas caramanholas. Pegamos o asfalto e pedalamos até Ponta da Areia, onde existiu uma importante estrada de ferro ligando o litoral sul da Bahia até a divisa de Minas Gerais. Por essa ferrovia, extinta em 1966, transitavam trens lotados de madeira que abasteciam os navios.

Hoje ao invés de vermos os antigos e eficientes trens, vemos os caros e modernos caminhões transportando toneladas de madeira e enchendo as chatas no porto da Aracruz Celulose.

De Ponta da Areia seguimos até Barra de Caravelas e lá finalmente trocamos o solo escuro e duro do asfalto por um solo claro e fofo de areia. Hora de esvaziarmos nossos pneus e seguirmos pela praia.

Dica: Para quem tem pouca experiência em pedalar na areia vale a pena testar uma breve pedalada antes de se aventurar por longas jornadas. E não esqueça sempre de esvaziar bastante os pneus e ter sempre o controle da bicicleta bem afinado, derrapadas são inevitáveis, mas o esforço vale a pena por estarmos diretamente em contato com o mar e a natureza.

Durante a pedalada podemos nos deparar com a tradição que ainda se mantém viva na região. Construção artesanal de embarcações, bem como a pesca artesanal do camarão. Atividades difíceis de serem mantidas no mundo em que vivemos. Além da tradição podemos constatar a simpatia e a simplicidade das pessoas, que estão sempre prontas a nos receber, ajudar e informar com um belo sorriso estampado no rosto.

Seguimos pedalando cerca de 10 km pela praia até as proximidades de Alcobaça, mas teríamos que atravessar um rio profundo e preferimos voltar tranquilamente para nossa “casa”, o veleiro Mistralis. Íamos nos despedindo de um local que respeita realmente o ciclista e que está acostumado a ter a bicicleta como principal meio de transporte. Lá você poderá pedalar tranquilamente por entre os carros e se sentir confortável.

Antes de zarparmos, resolvemos fazer um belo churrasco argentino com um grupo de velejadores que conhecemos no Rio de Janeiro e nos reencontramos em Caravelas. Subimos cerca de 15 km dentro do Rio Caravelas, amarramos o veleiro entre as árvores, ascendemos a churrasqueira e preparamos um dos melhores churrascos feitos a bordo. Tudo isso num cenário cercado de belas árvores, mangues e muitos canais navegáveis.

Depois do churrasco e de nossa confraternização, chega a hora de voltarmos para mar aberto. Pela frente, Abrolhos a menos de 60 km e Salvador a quase 550 km, somente de mar pela frente.

Ficamos dois dias em Abrolhos, onde aproveitamos a tranquilidade do local para mergulharmos e nos prepararmos pela longa travessia até Salvador, aventura que você acompanha na próxima edição da Revista Bicicleta.

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