REVISTA BICICLETA - Body Fit - O pilates como ferramenta para o Bike Fit
Baixe Gratuitamente a Edição Digital de Maio - Junho 2017 da Revista Bicicleta!
Pneus Kenda

O Portal
da Bicicleta

SHIMANO
Revista Bicicleta - Edição 78

Leia

Revista
Bicicleta



+bicicleta - Bike Fit

Body Fit - O pilates como ferramenta para o Bike Fit

À medida que evoluímos o corpo, conseguimos um melhor ajuste entre material biológico (corpo) e a máquina (bicicleta). A prática regular do Pilates auxilia nesta evolução, melhorando significativamente a força, flexibilidade e correção postural.

Revista Bicicleta por Carlos Menezes
14.727 visualizações
20/07/2015
Body Fit - O pilates como ferramenta para o Bike Fit
Foto: Franck Camhi / Depositphotos

Não é raro entre um atendimento e outro conversar com o ciclista sobre o fortalecimento específico para melhoria do posicionamento na bike e consequentemente a melhoria da sua pedalada. Mas também não é raro essa recomendação ser recebida com olhos e comentários fora de contexto: “Mas homem fazendo Pilates”, “E é bom mesmo?”, “Será que resolve?”, “Pilates não é somente para quem está com lesão? Não é tipo uma fisioterapia?”, “Ah! Mas Pilates é muito fácil. Não faz força alguma.”

Interessante observar que a maior parte desses comentários vêm de pessoas que nunca fizeram uma aula experimental ou sequer procuraram ler boas referências bibliográficas ou conversar com pessoas que possam discutir o assunto com propriedade. Simplesmente desconhecem os benefícios que o Pilates traz não só na prática esportiva, no caso o ciclismo, como também a melhoria da qualidade de vida no dia-a-dia.

Durante a gravidez da minha esposa, para acompanhá-la, matriculei-me em um Estúdio Pilates. Na ocasião estava voltando a pedalar e tinha conhecimento das minhas limitações posturais. Devido ao fato de sentar sempre apoiado ao braço da cadeira, seja para dirigir ou no trabalho, ao sentar na bike nitidamente apoiava apenas uma protuberância isquiática no selim, isso fazia com que todo um lado do meu corpo (joelho, quadril, ombro etc) se antecipasse ao outro lado, acarretando a extensão maior de uma perna em relação a outra, gerando uma compensação no grau de flexão do tornozelo. De uma maneira simples posso dizer que o corpo estava desalinhado e desestabilizado sobre a bike. O vício postural somado à falta de fortalecimento dos músculos de sustentação do abdômen, lombar e quadril geravam uma desestabilização a ponto de comprometer a transferência de energia para a bike, ocasionando pequenos desconfortos.  E por mais que eu trabalhasse o ajuste da bike, me via limitado fisicamente naquele momento.

Surge aí, então, o conceito de Body Fit. Se procuramos o perfeito ajuste entre o material biológico (corpo) e a máquina (bicicleta), à medida que evoluímos o corpo conseguimos extrair mais e mais do ajuste da bike, ou seja, se você faz um Bike Fit e consegue um ajuste perfeito ao seu corpo atingindo o máximo de performance do conjunto, e mesmo assim não consegue atingir seus objetivos, torna-se necessário trabalhar os fatores limitantes para aprimorar ainda mais a pedalada.

Esses fatores limitantes são a bike e/ou o corpo. Uma das possibilidades é avaliar, com auxílio de um Fitter, qual a melhor geometria para seu biótipo/condicionamento físico no momento. A outra possibilidade é trabalhar o corpo a fim de aprimorá-lo e assim fornecer ao Fitter novos parâmetros para aprimorar seu posicionamento e consequentemente sua performance.

Em minha experiência pude observar a cada semana de prática regular do Pilates um ganho significativo de força, flexibilidade e correção postural. Os benefícios puderam ser sentidos desde longas viagens, até num dia-a-dia de trabalho. Mas foi na bike onde os benefícios foram mais expressivos. A cada percepção de ganho positivo em qualidades físicas, fui aperfeiçoando e ajustando minha bike por meio do Bike Fit.

No senso comum posso dizer que o fortalecimento de glúteo, abdômen, quadril e lombar, proporcionou a sensação de as pernas estarem mais soltas ou destravadas, deixando-as livres para pedalar e o braços soltos e livres para pilotar a bike. Isso tudo somado à correção permitiu um alinhamento bilateral do corpo, aumentando o conforto e a transferência de energia.

Nesse experimento pessoal, mês a mês, pude reavaliar meu posicionamento por meio do Bike Fit e reajustar a bike ao “novo corpo” que ia se formando.

Hoje vejo que boa parte dos meus clientes podem adicionar o fortalecimento muscular específico e trabalhos de flexibilidade aos seus treinos e em pouco mais de um ano terão um conjunto bike e corpo perfeitamente sintonizados.

Sabendo dos benefícios abordados pela literatura e tendo experimentado na prática os benefícios do Pilates, frequentemente converso e recomendo aos meus clientes, em diferentes graus de necessidade, a sua prática regular.

É nítido que quando esses ciclistas compram a ideia e passam a praticar Pilates, quando retornam futuramente para um novo ajuste é possível trabalhar seus posicionamentos de uma maneira muito mais eficiente.
A fim de fundamentar melhor sobre o assunto fomos conversar com Eva Simone, profissional que trabalha com Pilates há mais de 17 anos, e ela nos deu o seguinte depoimento a respeito da pelve como centro de força do corpo.

“Há milhares de anos o homem finalmente ficou de pé. Sofreu, gradativamente, transformações fisiológicas e funcionais que vão desde alterações respiratórias e circulatórias até o desenvolvimento muscular e a coordenação motora. Ao adquirir a posição vertical passou a se relacionar com o mundo à sua frente.

Nesse momento, a pelve passa a ser o centro de equilíbrio de seu corpo. Ela é a base e o elo de ligação entre o tronco e os membros inferiores. A compreensão da transmissão das forças ascendentes – provenientes do contato com os pés no chão – e descendentes – o peso do corpo na pelve – constitui a base para o entendimento dos circuitos musculares, que permitem a passagem de tensão das extremidades para o centro e vice-versa.

A tensão nos membros inferiores é transmitida ao tronco por circuitos musculares precisos, desde que haja uma boa colocação da pelve no espaço. Da mesma forma, a tensão dos membros superiores é transmitida ao tronco e ao crânio, desde que a cabeça do úmero esteja bem acoplada à cavidade glenóide e desde que a escápula esteja bem apoiada sobre o tórax.

A correta organização em torno desse centro se faz necessária para que os músculos anteriores e posteriores do tronco possam cumprir seu papel de equilíbrio entre força e elasticidade, possibilitando uma boa estabilidade da coluna e favorecendo, assim, o movimento das pernas e dos braços, bem como a verticalidade do olhar. Portanto, o fortalecimento dos músculos abdominais profundos e músculos do períneo é de fundamental importância para que haja um encadeamento de tensão, acionando todos os circuitos musculares do corpo. A pelve é o ponto a partir do qual todo movimento deve ser construído.

Desse modo, o corpo passa a ser um volume organizado em torno de um pilar central, condição essencial para que o indivíduo utilize de forma eficiente o espaço que o envolve, preservando o bom funcionamento de todas as estruturas corporais”.

Conversando com o ciclista Humberto Rezende, educador físico com especialização em Pilates, ele nos apresentou:

“Pilates é responsável por trabalhar o famoso CORE, que nada mais é do que uma caixa constituída por vários músculos, sendo eles: músculos abdominais na parte anterior do corpo, diafragma na superior, glúteos e paravertebrais na parte posterior, e pelo assoalho pélvico e músculos da articulação coxo-femoral (quadril) na porção inferior do corpo. São 29 pares de músculos aproximadamente que compõem esta “caixa”, onde todos ajudam a estabilizar a coluna vertebral e pelve durante os movimentos.

© Franck Camhi / Depositphotos

Para que haja um fortalecimento do CORE, necessitamos trabalhar toda a musculatura em conjunto, assim conseguiremos atingir a estabilidade e o controle neuromuscular sobre toda a cadeia cinética. Caso venhamos a trabalhar os músculos de forma isolada, não atingiremos o objetivo, que é o fortalecimento e estabilização, pois a coluna se tornará biomecanicamente instável.

E o ciclismo, onde entra nisso? Através do fortalecimento da região citada anteriormente, temos uma melhora significativa de desempenho, isso devido ao ganho de equilíbrio sobre a bicicleta. Vocês concordam que algo em equilíbrio rende mais do que algo que está totalmente desequilibrado?

Uma musculatura harmoniosa irá contribuir para melhora da manobrabilidade da bike, pois a musculatura da casa de força (Power House/CORE) está bem condicionada e equilibrada. Uma musculatura bem equilibrada, digo, oblíquos interno e externo, transverso do abdômen e multífidos, é responsável pela estabilização da pelve, e assim permite uma potencialização da musculatura da coxa (quadríceps), isquiotibiais e psoas durante a pedalada.

O Pilates é responsável por fortalecer a região pélvica, proporcionando uma estabilização significativa, promovendo melhora da postura e equilíbrio corporal. Com essa melhora, a transferência de força para membros é potencializada, e o interessante do Pilates é que ele é um método bem adaptável a todos os tipos de indivíduos, seja atleta ou nível doméstico.

Quando falamos em nível desportivo, dizemos que a melhora do desempenho e estabilidade dos atletas gera uma economia de energia, seja durante treinos ou competições, que acaba por prevenir lesões e às vezes ser o diferencial em uma disputa desgastante.

Pilates não é apenas algo para ser feito por poucos meses, é algo para toda a vida. Não é gasto, é investimento em qualidade de vida e bem-estar. ‘A arte do Pilates prova que a sua idade não é medida em anos, ou como você acha que você se sente, mas sim pela flexibilidade normal da sua coluna ao longo da sua vida’, parafraseando Joseph Hubertus Pilates”.

Assim reforçamos o nosso pensamento da importância de um trabalho específico fora da bike a fim de fortalecer grupos musculares específicos e ganho de flexibilidade. 

Curtiu esse post?

Quer receber mais conteúdo sobre bicicleta e ciclismo em sua casa? Então clique aqui conheça nossas ofertas de assinatura.

Comentários Facebook
Comentários
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar.

Para postar seu comentário faça seu login abaixo.

E-mail
Senha

 

Cadastre-se Aqui | Esqueceu a senha?

Edições On-lineCadastre-se Esqueceu a senha?
E-mail
Senha
Revista Bicicleta 2012 © Todos os Direitos Reservados