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BMX, Saúde & Equilíbrio

Ciclista mineiro “demitiu’ o banco em que trabalhava, mudou radicalmente de vida e criou um projeto que já levou emoção e conscientização a 300 mil pessoas. Seu testemunho mostra como é possível buscar patrocínio (e patrocinar!) através das leis de incentivo fiscal

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
36.943 visualizações
15/10/2013
BMX, Saúde & Equilíbrio
Foto: Clóvison Elberth Alves Gonçalves

Ele chega com uma bicicleta de BMX e com abordagens surpreendentes, une as acrobacias e o lúdico às palestras motivacionais para estimular o autoconhecimento. Ele propõe reflexões para que os seus espectadores não deixem de cuidar do corpo, da mente e da alma, com exercícios físicos, reflexão e valorização de valores, princípios e comportamentos que prezam pela saúde e equilíbrio. Este é o trabalho atual de Clóvison Elberth Alves, mineiro de Uberlândia, mas nem sempre foi assim.

Em 2006, aos 33 anos, Clóvison tomou uma decisão importante de mudança de vida. Uma decisão que para muitos pode não soar como algo normal: trocar um salário de R$ 5.000 e o cargo de gerente de um banco para viver de patrocínio para realizar um trabalho social de conscientização em escolas, hospitais, centros de recuperação, empresas e outras organizações, através de palestras com atuações de BMX.

“Eu tinha conseguido tudo o que um homem normal pode desejar nesta vida: um lar, filhas, sucesso profissional... Mas também acumulava, ao longo da vida, a tristeza de ver muita gente amada se machucar com vícios como o alcoolismo e o sedentarismo. Minha consciência me dizia: é hora de mudar!  Eu tinha um sonho de viver do BMX Freestyle Flatland (chamo de “ciclismo-acrobático” para o pessoal leigo entender) e sentia um chamado interior para trabalhar na formação de seres humanos e na construção de um mundo melhor”, conta Clovin, como é conhecido.

Foi uma mudança brusca, difícil, mas Clóvison estava certo de sua vocação. “Quando me perguntava como iria sustentar minha família, eu pensava: você consegue! Aprendeu a vender contratos como gerente de banco, agora vai vender seus próprios contratos de patrocínio. Era verdade, mas não seria fácil...”, relembra o uberlandense. Ele conta a história toda no livro Demiti o Banco, Admiti a Vida – Pelo BMX Freestyle / Ciclismo Acrobático, lançado em 2011. 

Administrador formado pela Universidade Federal de Uberlândia, filósofo pós-graduado pelo Centro Universitário de Patos de Minas, Clóvison buscou sua realização pessoal como empreendedor social, acrobata ativo e palestrante comportamental. “O BMX, a vida e meus estudos filosóficos tinham me mostrado que na dificuldade está a oportunidade, e que o que parece impossível, com obstinação e empenho pode se tornar realidade: assim nasceu o Projeto Saúde & Equilíbrio, que mistura saúde, esporte, cultura e educação e convida cada um a ser mais ‘Gerente de Mim Mesmo’, título de minha palestra principal”, diz.

O projeto cresceu e já atingiu cerca de 300.000 pessoas. “Minha determinação e fé foram importantes, mas não teria conseguido chegar até aqui sem o apoio da cidade de Patos de Minas, onde ainda está a maioria dos meus patrocinadores (hoje moro em Uberlândia). Em sete anos, o Projeto Saúde & Equilíbrio contabiliza quase 2.000 eventos, 5.000 palestras, dezenas de cidades e centenas de escolas visitadas, e mais de 300.000 beneficiados.  Vou principalmente às escolas, onde o público está reunido, faço uma apresentação e, depois, estimulo práticas e princípios comuns para o sucesso, no ciclismo e na vida, com palestras e trabalhinhos interativos”, afirma Clóvison.

Nas apresentações, quando o palestrante acerta uma manobra, aproveita para estimular princípios como paciência e dedicação; e quando erra e cai, ele levanta e tenta novamente, demonstrando como é preciso cultivar a superação e resiliência para enfrentar as situações que a vida impõe. As manobras com a BMX instigam a curiosidade, especialmente das crianças e adolescentes, e a presença da bicicleta suscita e fomenta o seu uso.

Leis de incentivo fiscal

Mesmo com a satisfação pessoal com o trabalho, o crescimento e amadurecimento com aplausos e críticas, por muito tempo Clóvison passou um aperto financeiro, sendo que os recursos vinham diretamente do caixa dos parceiros. Ele comenta: “Hoje não tenho salário fixo, até porque meu trabalho não tem preço. Faço mais por vontade e missão pessoal que por dinheiro, mas também vivo disso. Então, não dava para ficar sempre no vermelho, ou logo não teria onde morar. Então, reduzi os eventos para me dedicar a aprender a buscar patrocínio extra através das leis de incentivo fiscal, com as quais as empresas podem patrocinar projetos esportivos, culturais e/ou sociais com dedução em seus impostos”.

A primeira lei em que Clóvison enquadrou o projeto Saúde & Equilíbrio foi a Lei Rouanet, que beneficia projetos culturais, autorizando captações de incentivos com dedução total do valor até o limite de 4% do Imposto de Renda. “Consegui enquadrar o projeto equiparando as acrobacias à arte circense do ciclismo-acrobático. Após uma busca forte nas empresas da região, consegui verba para sair do vermelho e criar novas perspectivas entre o fim de 2011 e 2012, inclusive chamando uma grande profissional para trabalhar comigo”, conta.

No geral as leis de incentivo fiscal funcionam assim: o órgão público beneficiário do imposto (a federação -  com o Imposto de Renda, o estado - com o ICMS, ou o município – com o IPTU e ISS) renuncia a receber parte desta carga tributária e estabelece critérios para selecionar projetos culturais e esportivos. O proponente (uma ONG, ou mesmo uma pessoa física, em alguns casos) submete seu projeto e, caso receba aprovação, é autorizado a buscar empresas para conseguir os incentivos/patrocínios. Com a devida documentação, o parceiro deduz o valor do incentivo em seu imposto.

Clóvison avalia: “Para a empresa é um excelente negócio: divulgar sua marca, fazer um marketing social e receber eventos bônus para seus colaboradores e clientes, tudo a custo zero!  Para nós, ciclistas e para empreendedores esportivos e culturais, nem precisa dizer...  Apesar de serem poucas as empresas que têm perfil fiscal adequado (não são todas que podem investir, só as maiores), há milhões em recursos disponíveis espalhados por todo o país. O desafio é, de um lado, criar bons projetos, de outro, conseguir ‘vender’ a ideia às empresas, que muitas vezes não aproveitam a oportunidade por puro desconhecimento”.

Hoje, o projeto Vida & Saúde conta com o apoio de entidades em várias cidades: em Uberaba, o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social, em Patos de Minas, o UNIPAM – Centro Universitário de Patos de Minas, a Água e Terra Planejamento Ambiental e o Posto Patão, e em Uberlândia, o Circo da Vida e o Velo Clube do Triângulo, que são ONGs parceiras no envio de propostas aos Ministérios da Cultura e do Esporte.

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Rodrigo Langeani

16/10/2013 às 17:52

Inspiradora essa matéria.
O mundo precisava de mais pessoas iguais ao Clóvison, com vontade de fazer a diferença na vida das pessoas.
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