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Bicicleta elétrica e cicloturismo: Isso combina?

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
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31/03/2016
Bicicleta elétrica e cicloturismo: Isso combina?
Foto: FÁBIO NITSCHKE GOMES

O mestre Antonio Olinto conceitua cicloturismo da seguinte forma: “Cicloturismo nada mais é que fazer turismo utilizando como veículo a bicicleta ou viajar de bicicleta. Minha concepção de cicloturismo está profundamente ligada com minha experiência de vida e uma viagem de três anos e meio com bicicleta onde percorri 46.620 km em 34 países de quatro continentes”.

Ele ainda explica que uma característica básica do cicloturismo é percorrer longas distâncias, uma marca registrada do cicloturista é a carga na bicicleta, e há ainda uma mudança primordial na concepção do exercício físico, já que o cicloturista não procura recordes ou grandes velocidades, mas sim recreação e conhecimento.

Tomando por base as definições acima, seria possível incluirmos a bicicleta elétrica equiparada à bicicleta convencional, sem descaracterizar o conceito de cicloturismo?

Todo cicloturista que se preze vai afirmar que pedalar é uma fonte de grande prazer para ele. Mas nem todas as pessoas, em todos os lugares, são capazes de viajar com uma bicicleta, seja pela condição física ou até por fatores psicológicos, como o sentimento de incapacidade, seja por causas naturais, como muitos aclives ou ventos fortes. Seria possível, com uma bicicleta elétrica, dar a oportunidade a essas pessoas de experimentar o cicloturismo?

A discussão, ao final, não é sobre substituir o ato de pedalar; é sobre fomentar a bicicleta e ampliar o alcance da experiência do cicloturismo.

Em agosto de 2013 (edição 31), publicamos como matéria de capa a viagem do pesquisador holandês Gijs Stevers, que percorreu 20 mil quilômetros do extremo norte europeu, em Cabo Norte, Noruega, até o extremo sul da África, em Cabo da Boa Esperança, com uma bicicleta elétrica. Sua jornada teve como propósito conhecer iniciativas em prol da energia renovável. Perfeitamente em sintonia com este tema, Gijs afirmou à época: “eu sei que a bicicleta elétrica é menos sustentável do que uma bicicleta normal, e que eu não pude carregar sua bateria apenas usando energia renovável ao longo da viagem. No entanto, ela ainda é muito mais sustentável que qualquer outro meio de transporte. Poderia ter feito a viagem de moto, carro, transporte público, mas essas opções deixariam uma pegada maior no meio ambiente”. Para ilustrar, ele afirmou que após a viagem instalou 16 painéis solares na casa de seus parentes e em duas semanas a instalação produziu a mesma quantidade de energia consumida pela e-bike nos 10 meses de viagem. Por contar com o auxílio elétrico, Gijs pôde transportar uma bagagem mais pesada, com cerca de 70 kg, um verdadeiro exagero para cicloturistas.

Na última edição (55 – setembro/2015), Ruben Wanderley Filho, do grupo Os Dinossauros, contou que na travessia de 375 km que realizaram pelas Higlands Escocesas, alguns integrantes alugaram mountain bikes com assistência elétrica, as chamadas E-MTBs. Ele conta que “as mountain bikes elétricas são hoje uma febre na Europa, principalmente para quem já atingiu uma certa idade, como é o caso da maioria do grupo que foi às Higlands, em torno dos 60 anos”. As bicicletas elétricas têm se tornando uma tendência, especialmente para casais e pessoas com diferentes idades, por possibilitar a equalização do ritmo da pedalada.

Segundo Ruben, é ilusão achar que a aventura perde importância por contar com o auxílio elétrico. Nas Higlands, por exemplo, o grupo de Ruben enfrentou muitas valas formadas pelo escoamento do degelo com pedras grandes e soltas, exigindo sempre aceleração extra para ultrapassá-las. “O mais importante é curtir e se divertir nas trilhas”, afirma. Para ele, que estava fotografando a viagem, a E-MTB representou mais uma vantagem: já que o ninguém gosta de ficar parando para fotos, o auxílio elétrico permite uma retomada rápida para alcançar os demais.

Nesta edição, no artigo “TransAlp com crianças: Uma travessia dos Alpes de bicicleta”, Fábio conta como foi sua experiência de pedalar com os filhos gêmeos Theo e Martim. Sua esposa, Melissa, também participou da cicloviagem utilizando uma bicicleta elétrica. “À princípio, Melissa percorria apenas dois dos cinco dias programados para a aventura, mesmo com a bicicleta com auxílio elétrico, pois ela não tem tanto preparo físico assim. Mas ela se sentiu confiante, conseguiu acompanhar os cinco dias e percorreu os 500 km pedalando junto comigo”, disse Fábio.

Se você torceu o nariz tentando argumentar que bicicleta elétrica não é bicicleta, pense em como Melissa, Ruben, Gijs e tantos outros se sentiram ao viajar com suas bicicletas elétricas. Certamente, eles atraíram a curiosidade das pessoas, como é comum aos cicloturistas. Aproveitaram o caminho de uma forma que não seria possível como nenhum outro meio de transporte. Provaram da introspecção e do autoconhecimento que o cicloturismo oferece. E fizeram isso de uma maneira sustentável.

Alguns deles não teriam conseguido sem o auxílio elétrico, e essa característica inclusiva da e-bike é um complemento a este veículo mágico que se chama bicicleta.

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