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Berlim a Copenhagen - Em busca da pequena sereia

12 dias - 740 km - 3400 m de ascensão

Revista Bicicleta por Fábio Zander
45.699 visualizações
22/01/2013
Berlim a  Copenhagen - Em busca da pequena sereia
Foto: Fábio Zander

- Hoje estou saindo de férias. 
Muitos vão me perguntar: 
- Vai viajar? Para onde vai?
- Vou para Alemanha pedalar.
- Você está ficando louco! Vai sozinho? 
É a reação da maior parte das pessoas, que piora quando eu digo que a esposa e o filho vão comigo. 

(Rogerio, em seu blog)

"Nossa, Zander, o verão de vocês aqui na Europa parece o nosso inverno lá no Brasil!” Algumas vezes escutei essa frase da Melissa, do Rogerio e do Victor e eles tinham razão, o tempo não estava dos melhores. Não que eles não estivessem curtindo a pedalada, mas até eu fiquei espantado, pois normalmente o verão é mais quente e seco por aqui.

O clima está maluco em todo o planeta e o nosso segundo dia de pedalada foi o ápice em toda a viagem, pois choveu o dia inteiro, sem parada e descanso. Tanto que eu não tirei uma foto sequer. A vontade de pedalar de Berlim a Copenhagen surgiu primeiro com o Rogerio lendo uma matéria sobre o roteiro em um grande jornal brasileiro. Depois de ler, não teve dúvidas, essa seria a viagem que realizaria e a primeira na Europa com a esposa Melissa e o filho Victor.

Alguns meses antes da viagem, os preparativos. O Rogerio fez contato com a autora da matéria que o inspirou, a Evelyn. Pouco tempo depois encontrou meu site “fuçando” a internet. Assim começaram os primeiros contatos e a preparação para a cicloviagem dos sonhos. A princípio, a viagem seria realizada em 2012, mas a ansiedade e a vontade anteciparam a pedalada para esse ano. No dia 15 de março, aniversário do Rogerio, ele assinou o contrato comigo. Eu seria, além de guia, o responsável por toda a logística na Alemanha e Dinamarca.
    
“Um dos fatores favoráveis à contratação de um guia é a segurança com que se realiza o trajeto, elimina-se a tensão em relação ao percurso e é possível aproveitar muito mais o passeio. Além disso, a tranquilidade de já ter definida a hospedagem nos deu tempo para aproveitar e conhecer as cidades por onde passamos”, relatou Rogerio.

Berlim

Recepcionei os três no aeroporto internacional Tegel e depois de nos acomodarmos no hotel, iniciamos a montagem das bicicletas. No dia seguinte, tivemos o dia inteiro para conhecer de bicicleta a capital alemã. Pedalamos parte do entorno do Muro de Berlim conhecendo atrações e locais famosos como o Reichstag (parlamento alemão), o portão de Brandenburgo, o Sony Center, o Check Point Charlie e a maior galeria ao ar livre e também o maior trecho preservado do muro, o East Side Gallery com pinturas e grafites de diversos artistas internacionais.

A pedalada

No dia seguinte, iniciamos a pedalada com destino à capital dinamarquesa, Copenhagen. Dentro da Alemanha tivemos seis etapas de pedal, passando por cidades e vilas como Oranienburg, Fürstenberg, Neustrelitz, Waren, Güstrow e Rostock. Na Dinamarca, tivemos um dia de descanso na ilha de Mon e cinco etapas pedalando por Sonder Kirkeby, Elmelunde, Fakse Ladeplads e Koge. Pedalamos quase todo o trajeto por ciclovias, atravessando pequenas vilas de ruas desertas e casas coloridas, grandes bosques e reservas naturais.

A sinalização da rota Berlim - Copenhagen é boa na Alemanha, mas na Dinamarca deixou a desejar, pois é preciso estar sempre atento para não perder alguma indicação importante do caminho. Talvez a grande sacada em se fazer uma viagem dessas com um guia é a tranquilidade de não precisar fazer a navegação, perdendo assim muito tempo para reencontrar o caminho a ser seguido, caso se perca. Por exemplo: em uma ciclovia encontram-se, às vezes, três rotas diferentes.

O roteiro é bastante plano, sem grandes e longas subidas. Atravessamos também diversas plantações de trigo e cevada, tanto na Alemanha como na Dinamarca e, no meio desses campos, uma vez ou outra, um moinho de vento, mas não daqueles antigos. Estes são modernos para geração de energia. A Alemanha pretende investir mais em energia alternativa gerada por vento e sol, já que até 2022 tem como objetivo desativar todas as suas usinas nucleares. As pernoites foram feitas em pequenos e confortáveis hotéis ou em casas típicas da região, aquelas lindas, de madeira, e vasos de flores coloridas nas janelas.

Levamos todas as nossas coisas dentro dos alforjes traseiros e na bolsa do guidão foram as coisas pequenas, como a máquina fotográfica, dinheiro e alguns documentos. A sensação de liberdade é grande e a felicidade de realizar uma viagem com as próprias forças não tem comparação.

Alguns chamaram o Rogerio, a Melissa e o Victor de malucos por fazerem uma viagem dessas de bicicleta e em outro país, mas na minha opinião malucos são aqueles que não tentam novos desafios e ficam na “mesmice”, sem conhecer a satisfação que é pedalar por aí.

“É preciso admitir que sofremos um pouco nos primeiros dias também pelas condições climáticas (chuva e vento). No entanto, conforme os dias foram passando, o tempo melhorando e o corpo se adaptando, foi sendo possível dar conta do percurso sem grandes complicações. É importante destacar que é um tipo de viagem para quem gosta (de verdade) de pedalar”, disse Melissa.

Vendo o Rogerio e o Victor pedalando juntos, lembro-me de minha primeira pedalada mais longa com o meu pai, em 1991. Uma pedalada que mudaria muita coisa em minha vida ligada a duas rodas. Viagens com a bicicleta criam fortes ligações entre amigos, familiares, pais e filhos.

A rota ciclística internacional Berlim - Copenhagen oferece a mistura ideal entre cultura e natureza e é o que a maioria dos cicloturistas procuram em uma viagem. Nos estados de Brandenburgo e Mecklenburg-Vorpommern avistam-se muitos castelos, antigos casarões e mosteiros e os lagos são convidativos para dar um pulo.

Chegando em Rostock, nos despedimos da Alemanha e atravessamos de navio o Mar Báltico com destino a Gedser, na Dinamarca. São quase duas horas navegando. As bicicletas tinham que ficar estacionadas ao lado de carros, caminhões e ônibus no porão do navio.

Na Dinamarca, tivemos um pouco mais de subidas e menos bosques, compensados com a presença do cheiro do mar, das praias e dos pequenos portos com veleiros vindos da Alemanha e da França. Na ilha de Mon, fizemos uma parada mais longa, passamos um dia inteiro para conhecer as falésias de Mons Klint, que parecem ser feitas de giz e se desgastam com a ação do vento e principalmente do mar.

Copenhagen

Na nossa opinião, a pedalada na Alemanha foi um pouco mais segura, pois na Dinamarca tivemos que pedalar alguns quilômetros na estrada e sem faixa para ciclistas. Chegando na capital, aí sim, ficamos impressionados com a estrutura de vias para ciclistas e a quantidade de bicicletas. Nada comparável com o que vi até então. A cidade é feita para o uso da bicicleta.

Em Copenhagen, fizemos um city tour de bicicleta conhecendo as principais atrações turísticas da cidade. Acompanhamos a troca da guarda real no palácio, visitamos o centro velho e o pequeno porto de Nyhavn com suas casas coloridas e um restaurante atrás do outro.

O ponto final de nossa cicloviagem foi a estátua da pequena sereia, o símbolo de Copenhagen. 

Na praça de Alexanderplatz, no centro de Berlim, em frente a prefeitura, existe um chafariz e no seu topo o deus do mar, Netuno, o pai da pequena sereia. A Melissa disse: “à procura da pequena sereia”. Em Copenhagen, depois de 740 km pedalados, enfim pudemos dizer: “achamos”.

Números e informações da pedalada Berlim - Copenhagen
Roteiro
Foram 12 etapas entre Berlim e Copenhagen, aproximadamente 740 quilômetros pedalados e 3.400 metros de ascensão total.
1º dia – Berlim a Oranienburg 52,70 km
2º dia – Oranienburg a Fürstenberg 88,40 km
3º dia – Fürstenberg a Neustrelitz 47,20 km
4º dia – Neustrelitz a Waren 70,20 km
5º dia – Waren a Güstrow 70,80 km
6º dia – Güstrow a Rostock 54,30 km
7º dia – Rostock a Sonder Kirkeby 54,90 km
8º dia – Sonder Kirkeby a Elmelunde 69,90 km
9º dia – Elmelunde (ilha de Mon) 28,70 km
10º dia – Elmelunde a Fakse Ladeplads 64,70 km
11º dia – Fakse Ladeplads a Koge 58,80 km
12º dia – Koge a Copenhagen   60,70 km

Veja no mapa: 

Quem leva:

Zander Bike Tours (www.zanderbiketours.com).

A melhor época: 

Entre maio e setembro.

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