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As vantagens do cicloturismo em relação a outras formas de turismo

Para onde quer que deseje viajar, seja qual for o estilo e sonho de viagem, lembre-se que a bicicleta sempre irá potencializar as características da viagem.

Revista Bicicleta por Antonio Olinto
40.878 visualizações
23/05/2015
As vantagens do cicloturismo em relação a outras formas de turismo
Caminho para Padum - Ladakh, Índia
Foto: Rafaela Asprino

Viajar pela Europa é caro, quem tem este sonho de viagem perceberá que a bicicleta pode proporcionar grande economia desde a saída do aeroporto, isto pode antecipar a concretização do seu sonho ou pode ampliar os limites dele.

Em Londres comprar um simples bilhete de metrô pode ser bem complicado, existem dezenas de tipos de bilhetes com áreas e prazos de utilização variados; na Alemanha até os cidadãos tem dificuldade de compreender qual dos muitos sistemas de cobrança de bilhetes de trem seria o mais eficiente para cada situação em que se encontra. Por outro lado, de bicicleta, com um mapa na mão ou em seu gadget predileto, qualquer um pode “se perder” e “se achar” no centro velho de cidades históricas. Com incrível agilidade poderá parar para fotografar ou conversar com um transeunte. 

Imagine uma viagem convencional pela Europa, agora coloque neste sonho uma bicicleta dobrável. Tudo fica mais ágil nas cidades e ainda poderá mesclar seu roteiro com ônibus, trens e aviões sem constrangimentos. É só montar a bicicleta, colocar sua bagagem em cima e sair com seu próprio veículo.

“Mas Olinto, meu estilo é outro, sou mais aventureiro “casca grossa”, a bicicleta vale a pena?”

Lembro quando vi pela primeira vez alguém viajando de bicicleta. Estava no meio de uma roda de pessoas em um dia chuvoso contando minha aventura de motocicleta e por que preferia fazer um caminho de terra ao invés de utilizar o asfalto. Logo chegou o Sr. Bager (hoje um grande amigo) com sua bicicleta fazendo o mesmo caminho que eu. Todos nós imediatamente nos voltamos para ouvir as histórias dele, pois, obviamente, o simples fato dele viajar de bicicleta transformava tudo em uma grande aventura.

Atualmente, junto com a Rafaela, temos preferido viajar por locais de difícil acesso para fugir do intenso trafego de automóveis em todo o mundo. Para chegar nestas regiões com outro veículo seriam necessários enormes investimentos de dinheiro e logísticas, somente com uma boa moto off road ou um 4x4 muito bem preparado seria possível passar por onde passamos na viagem de Bariloche à Terra do Fogo; mesmo assim os riscos seriam enormes (um veículo automotor está sempre sujeito a atolamentos e panes). 

De bicicleta podemos viajar por praticamente qualquer lugar. Na última viagem pela Índia levamos as bicicletas em um trekking atravessando um passo de montanha a mais de cinco mil metros de altitude. Se é possível passar a pé podemos atravessar de bicicleta também. Nestes momentos, a simplicidade mecânica da bicicleta nos faz seguir tranquilos.

Agora vamos imaginar uma outra situação: Califórnia-USA, ou melhor, o sul da França. Você é uma pessoa que gosta de viajar passando muito bem, desfrutando do conforto de bons hotéis, saboreando comidas de primeira acompanhadas de bons vinhos. Se for de bicicleta poderá comer sem culpa, você voltará da viagem em melhor condição física do que a que estava quando partiu. Por outro lado, depois de um dia pedalado, asseguro que sua sede e paladar estarão mais aguçados, possibilitando sentir de forma especial o sabor das delícias de qualquer região em que se encontre.

Não vou mencionar nada sobre sustentabilidade de uma viagem de bicicleta, manterei o foco na percepção do viajante, mesmo por que todos sabemos que viajar de bicicleta não polui e assim como seu corpo o planeta agradece a opção de utilizar a bicicleta em uma viagem.

“Bem legal isso... Mas apesar de gostar de pedalar todo final de semana quando saio de férias, vou com a família. Olinto, isto não é para mim...”

Bem... Conheço muitas histórias de pessoas que viajam de bicicleta em família. Sei que não é fácil, mas, para facilitar as coisas, existem os suportes de bicicleta colocados no teto ou na traseira dos carros. Nada impede de fazer a bicicleta participar e melhorar uma viagem de automóvel proporcionando momentos especiais como sentir no rosto o vento fresco do mar enquanto observa o por do sol no calçadão ou na areia da praia onde os automotores não podem chegar. Eu cresci em uma cidade do interior, mas sei que muitas crianças de hoje não tem a chance de pedalar livremente em seus próprios bairros. As férias em família podem oferecer a oportunidade de compartilhar o prazer de pedalar com as novas gerações.

Tá, você é um solteirão convicto e viaja de carro para poder azarar as gatinhas... Se levar uma bicicleta poderá chegar no alto dos morros ou nas praias mais distantes, aqueles locais onde as estradas são de terra ou areia sem a preocupação de limpar o carro antes de sair à noite, além de manter seu corpinho em dia, é claro!

Quem viaja de motor-home como nós, verá que a bicicleta proporciona um bom equilíbrio em longos períodos de viagem, funcionando também como um veículo auxiliar para pequenas distâncias, já que a cada vez que o motor-home precisa se movimentar temos que guardar tudo em um lugar seguro antes de sair.

Os que viajam com seu próprio veículo sentem mais independência e liberdade. Quem sai das caixas envidraçadas chamadas veículos automotores tem a oportunidade de ver 360 graus a seu redor, além de sentir os perfumes das coisas, tudo isto em uma velocidade que chamo de natural, ou seja, aquela em que ainda é possível compreender tudo o que acontece a seu redor.

“Mas com um veículo automotor eu posso trafegar a qualquer velocidade”.

Sim, apesar de poder ninguém o faz. Estranhamente, o motor nos estressa e induz à pressa. Quando viajo de bicicleta paro por qualquer motivo. De carro fico segurando até a vontade de ir ao banheiro para andar mais e nem sei muito bem por que. O carro, a moto, tudo faz barulho e principalmente o ar-condicionado nos isola como nunca do mundo exterior.

Quando viajamos de norte a sul da Finlândia, em pleno círculo polar ártico, passamos por muitos quilômetros de pura floresta de coníferas com baixa densidade demográfica. Um dia, passando em frente de uma casa, um homem nos cumprimentou:

“Oi, bom dia”.
“Bom dia”, respondemos.

Como a bicicleta não faz barulho e passa lentamente ele pôde continuar o diálogo enquanto passávamos:

“De onde vocês são?”
“Do Brasil”, respondi.

Ele continuou a conversa:

“Querem tomar um chá?”

Eu com o pescoço já virado para trás respondo que sim e paro a bicicleta. Como isso aconteceria de forma tão natural em outro veículo?

Marcos cuida de cavalos de raça, ele é especializado em consertar vícios que os animais aprendem quando são mal adestrados; para ter uma ideia ele costuma ser contratado por xeiques da Arábia. Conversamos muito e ele contou um monte de coisas de seu dia-a-dia. Aprendemos como sobrevive no inverno de seis meses de noite eterna e temperatura média de – 40 graus. Vimos que apesar deste frio ele tem que ter um refrigerador, pois se colocar comidas fora da casa tudo congela.

Marcos mostrou, com orgulho, fotos do céu em dias ensolarados, coisa rara em seu país, e a Rafaela aprendeu com ele a ver a beleza e dar mais valor para um céu com nuvens.

Esta história demonstra a maior vantagem da bicicleta que a meu ver, é aproximar as pessoas como nenhuma outra forma de viajar consegue. Este fascínio, esta magia que a bicicleta exerce nas pessoas lhe permite e obriga a conhecer, além dos monumentos, a língua local; além dos lugares, as pessoas. Pessoas são muito mais que lugares, pois têm um universo interior que nos proporciona grandes experiências de vida.

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