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A eficiência dos 8 km

Revista Bicicleta por André Geraldo Soares
48.874 visualizações
15/02/2013
A eficiência dos 8 km
Facilitar a vida, em todos os sentidos, em curtas e médias distâncias.
Foto: Thinkstockphotos

Em todos os sentidos, viver é estar em movimento, decorrendo daí que a restrição da mobilidade significa perda da qualidade de vida. Todos aqueles que precisam sair de casa, todos os dias ou ocasionalmente, para ir ao trabalho, à escola ou para executar outros afazeres, sabem o valor de deslocar-se com comodidade, agilidade e segurança, seja utilizando a modalidade que escolheram, seja aquela que têm à disposição. Fica claro, assim, que a maior parte da população brasileira vive descontente... Motoristas e usuários do transporte público rosnam paralisados no trânsito, iludidos de que um dia haverá um sistema viário que comporte cada um no seu carro.  E ciclistas e pedestres (o que dizer dos cadeirantes?), espremidos entre as máquinas, sendo tratados como intrusos.

Tudo isso pode - e, na verdade, precisa - ser diferente. Para ilustrar, tomemos apenas a contribuição que podem dar aqueles que fazem viagens de até 8 km. A bicicleta é, sabidamente, um veículo muitíssimo eficiente em curtas e médias distâncias: ágil, está sempre à mão, permite o acesso porta a porta, fácil de estacionar, corta caminho, dispensa habilitação, etc. Em distâncias de até 8 km, mesmo em cidades europeias, onde o transporte público é mais eficiente e o sistema viário tem maior capacidade de carga, levando-se em conta apenas o fator tempo, ela se equivale ou supera todas as demais modalidades.

Qual o alcance disso? 95% dos municípios brasileiros têm população de até 100.000 habitantes, cujos perímetros urbanos não ultrapassam 8 km de diâmetro. Desta forma, ressalvadas as condições topográficas e atmosféricas, qualquer ciclista, em condições físicas medianas, pode atravessar essas cidades em não mais do que 40 minutos. E estamos autorizados a conceber que apenas uma parcela diminuta da população necessita cruzar diariamente uma cidade de ponta a ponta.

A situação é mais complicada nos demais 5% dos municípios, pois neles moram nada menos do que 53% dos brasileiros: vários desses municípios, em conurbação metropolitana, atingem 20, 40 e até 60 km de diâmetro, como é o caso da grande São Paulo. Ainda assim, existe uma determinada quantidade de deslocamentos diários, conhecível através de pesquisas origem-destino - não menos importante - que está circunscrita nessa área ótima para o ciclismo.

Este ponto de vista é muito didático para obter o apoio de toda a sociedade, para a constituição de cidades cicláveis. Se for permitido e estimulado o uso da bicicleta, nos trajetos onde ela é eficiente para as pessoas, também será vantajosa para a sociedade, pois novos ciclistas significam maior autonomia de deslocamento, melhoria da economia familiar, mais pontualidade no trabalho, diminuição dos congestionamentos, acidentes, custos hospitalares e gastos públicos com infraestrutura viária. 

As cidades pequenas e médias têm a oportunidade de pular a “etapa dos erros” cometidos pelas cidades grandes, e adotar um modelo de desenvolvimento voltado para a eficiência social dos transportes, consolidando uma rede de transporte público bem integrada, com adequadas estruturas de acolhimento aos ciclistas e pedestres. Essa rede inclui bicicletários, ciclovias e ciclofaixas, vias compartilhadas, calçadas acessíveis, moderadores de tráfego, etc.

Já as cidades grandes têm desafios maiores, mas não insuperáveis. Nestas cidades, trens e metrôs, com as necessárias estruturas de integração intermodal, são requisitados para dar conta da massa. Mas, como podemos identificar várias centralidades nessas cidades, elas precisam ser abordadas regionalmente, e terem seus sistemas viários adaptados para que os deslocamentos de curta e média distância não dependam de ônibus ou de carro. O encaixe entre estas estruturas viárias cicloinclusivas, formando uma rede e abrangendo toda a cidade, permitirá àqueles com maior fôlego, ou forçados por qualquer necessidade, pedalarem distâncias maiores para darem conta de seus afazeres.

A bicicleta não é a solução para todos os problemas da mobilidade urbana, mas a cidade não pode renunciar à grande contribuição que ela está, comprovadamente, habilitada a dar: a de facilitar a vida, em todos os sentidos, em curtas e médias distâncias.

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