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A Bicicleta e a Epilepsia

Revista Bicicleta por Dr. John Fontenele Araújo Neurociclista*
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28/05/2018
A Bicicleta e a Epilepsia

Recentemente em Copacabana, RJ, um acidente em que várias pessoas foram feridas e um bebê morreu após serem atingidas por um veículo chamou muita atenção. O carro subiu o calçadão e a ciclovia, que estavam lotados no momento do atropelamento. Este acontecimento foi muito comentado, não só pela gravidade, mas porque o motorista informou que perdeu o controle após ter tido uma crise convulsiva, pois é epiléptico. Isso levantou a discussão se um paciente epiléptico pode dirigir. No Brasil, a legislação permite desde que a pessoa esteja com as crises controladas, sendo necessário um relato médico informando isso. Em outros países, essa situação não é permitida.

Mas qual é a relação da epilepsia com bicicleta? Este texto é para chamar a atenção para algo importante, que todos nós deveríamos saber.

A epilepsia é uma doença complexa, com múltiplas causas e diversos tipos. O tipo mais conhecido da doença é o caso em que ocorrem as convulsões. Durante uma convulsão o paciente perde a consciência e o controle sobre os músculos. Isso deve ter acontecido no caso do atropelamento em massa em Copacabana. Porém, geralmente os ataques epilépticos não são do tipo convulsão, mas sim mais leves, e o paciente não chega a perder a consciência durante o ataque.

Quem tem epilepsia pode pedalar. Os motivos são vários: andar de bicicleta melhora o nosso condicionamento físico e reduz o estresse, é prazeroso e ajuda na interação social. Esses fatores contribuem para o controle das crises. Além disso, o ato de pedalar provoca uma estimulação no nosso cérebro que pode inibir o surgimento das crises. Assim, ter uma crise andando de bicicleta é muito pouco provável.

Tendo em mente todos esses benefícios, é importante estimular os pacientes epilépticos a pedalar, e para isso três coisas devem ser levadas em conta:

1 - Esclarecer para o paciente os benefícios de andar de bicicleta, e que eles também podem desfrutar destes

2 - Não ter preconceitos com pessoas que lidam com essa doença, mas sim envolve-las em atividades, como convidar para um pedal de fim de semana.

3 - Melhorar as vias para o uso de bicicletas, com mais ciclovias e educação no trânsito, para que possa haver um compartilhamento seguro das vias. 

O Dia Internacional da Epilepsia é 12 de fevereiro, e 26 de março é o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia. Este último é conhecido como “Purple Day”, ou Dia Roxo. Este dia foi criado por uma criança canadense, Cassidy Mega, em 2008, e hoje é comemorado em todo o mundo. Cassidy disse que escolheu a cor roxa para representar a epilepsia por causa da cor da flor da lavanda. O motivo é que esta flor é frequentemente associada com a solidão, representando os sentimentos de isolamento que os pacientes com epilepsia sentem.  É nossa tarefa, ciclistas de todo o Brasil, não só divulgarmos o quanto a bicicleta faz bem para a saúde dos epilépticos, mas também perder o preconceito e convidá-los para se juntarem a família dos ciclistas do Brasil. Seria interessante, por exemplo, uma pedalada no dia 26 de março, para contribuirmos com o fim da solidão dos quase 250 mil epilépticos do Brasil.

*Neurociclista é o nome carinhosos de John Fontenele Araújo – Médico com doutorado em Neurociência e professor titular do Departamento de Fisiologia da UFRN. 

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