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Treze Tílias - Pedalando no pedaço mais europeu do Brasil

Por Revista Bicicleta
40.504 visualizações
15/10/2012
Treze Tílias - Pedalando no pedaço mais europeu do Brasil
Foto: Paulo de Tarso

Treze Tílias foi fundada em 13 de outubro de 1933, por imigrantes da região do Tirol (principalmente do Tirol Austríaco, mas também do Tirol Italiano) e Vorarlberg mas haviam também famílias oriundas de outros estados da Áustria, que fugiam da grave crise econômica na Europa. Devido à I Guerra Mundial, a economia austríaca estava abalada e o então ministro da agricultura da Áustria, Andreas Thaler, resolveu imigrar para o Brasil acompanhado de algumas famílias de imigrantes austríacos do Tirol e demais regiões austríacas, em busca de melhores condições de vida. Chegaram ao centro do estado de Santa Catarina, onde encontraram um clima temperado, semelhante ao clima europeu, e terras férteis, propícias para a fundação de uma colônia organizada.

Quando os austríacos chegaram, já viviam na região descendentes de imigrantes alemães (sobretudo da região do Hunsrück) e descendentes de italianos (principalmente da região do Veneto e dos arredores de Bergamo, na região da Lombardia).

Na colônia, os imigrantes austríacos mantinham-se unidos, de modo a preservar seus costumes e isso marcou profundamente a cultura do município, que preserva fortes características tirolesas.

O idioma alemão, língua oficial da Áustria, é ainda utilizado com frequência entre os habitantes do município, além do português. O dialeto alemão do Tirol é preservado, assim como o dialeto alemão do Vorarlberg. Nas áreas de colonização italiana do município, os dialetos vêneto e bergamasco são ainda preservados pelas famílias e entre muitos descendentes de alemães, é preservado o dialeto hunsrückisch.

A cultura tirolesa é preservada no dialeto, na arquitetura típica alpina da cidade, na culinária típica e nos grupos folclóricos de dança e canto que animam as festas do município. Tradições e costumes são preservados nas famílias e despertam o interesse de visitantes brasileiros e europeus. Treze Tílias preserva com orgulho suas raízes culturais, reforçando assim o elo de amizade entre a nação brasileira (das novas gerações) e a nação austríaca (origem dos fundadores da cidade).

Apesar de pequena, a cidade de Treze Tílias é muito rica em informações e é perfeita para a prática do cicloturismo com mountain bike com as mais várias opções de trajetos pelas dezenas de estradinhas de terra que cortam a região. É muito mais europeu do que o trajeto de cicloturismo do Vale Europeu! Mas se prepare também para muitas subidas!

Antes de qualquer pedalada, compensa percorrer de bicicleta os principais pontos turísticos da cidade e observar a Arquitetura Alpina que veio junto com os imigrantes, o seu estilo de construção das moradias, que pode ser visto nos detalhes das sacadas, floreiras, entalhes em madeira nas casas e na presença do campanário deixando em destaque o estilo Alpino. Os jardins também fazem parte desta cultura, e assim como as floreiras das janelas e sacadas, estão o ano todo coloridos e esbanjando beleza. A cidade é conhecida também pela grande quantidade de escultores espalhados por toda a cidade. A escultura em madeira é uma herança cultural preservada e mantida por muitos artistas,que abrem seus ateliês para visitação.

Além dos ateliês, os locais de visita obrigatória são:

Parque Lindendorf

Com 45 mil metros quadrados, o parque possui diversos atrativos, tais como a minicidade em madeira, com réplicas de edificações públicas. Conta também com um lago com peixes ornamentais e um belo restaurante típico.

Parque dos Sonhos

Localizado no centro da cidade, possui um labirinto verde, produção própria de sorvetes (alpeneis) servindo durante o ano todo diversas combinações de taças, cafés, o típico Apfelstrudel (torta de maçã) e proporcionando ao visitante um clima aconchegante e com muito contato com a natureza.

Museu Municipal Andreas Thaler

A casa onde o fundador da cidade Andreas Thaler viveu com sua família foi transformada em museu, onde está exposta a história da imigração da região, através dos utensílios e equipamentos utilizados pelos colonizadores.

Parque Aquático Vale das Tílias

O parque aquático conta com sete piscinas, rampa molhada, três toboáguas de grande porte, boliche, restaurante e pizzaria, entre outras atrações. Conta com uma fonte de água hidromineral que fica a 750 metros da superficie, jorra água a 32,5 °C, chegando às piscinas com média de 28 à 30°C.

Parque do Imigrante

Um parque rodeado de muito verde, lago com pedalinhos, academia ao ar livre, parquinho infantil, quadra de areia, Capela de São Bento e Via Sacra encantam e embelezam um ambiente tranquilo e de muita paz.

Recanto de Aves São Francisco de Assis

Um parque onde presenciamos variadas espécies de aves e plantas, que encantam pelas suas cores e simetrias.

E por último para fechar a pedalada com chave de ouro a Cervejaria Bierbaum

Anexa ao Restaurante e Pizzaria Edelweiss, foi criada em 2004 e é a primeira micro-cervejaria do oeste catarinense. Utiliza o conceito europeu de produzir cervejas artesanais e diferenciadas. Sua produção é baseada no consumo do próprio estabelecimento e é submetida a um rigoroso controle de padrão e de qualidade implantadas pelo mestre-cervejeiro. Isto é, técnica, qualidade e tradição aliados a gerenciamento de processos e equipamentos de alta qualidade, resultando na excelência do produto, considerado uma das melhores cervejas artesanais do Brasil.

Tirolerfest

Desde o primeiro ano da chegada dos imigrantes austríacos, sua tradição é mantida com grandes confraternizações. A festa conhecida por Tirolerfest, acontece todos os anos no mês de outubro, sempre próximo ao dia 13, aniversário do município. No início as confraternizações eram de um ou dois dias, mas o evento foi crescendo, sendo atualmente nove dias de festa e assim tornando-se um destino bastante procurado por turistas do Brasil e do exterior.

A programação desta festividade inclui desfiles, apresentações de bandas, corais e grupos de danças folclóricos do município e também de outros locais. Um dos pontos altos da festa é representado pelo "Bierwagem", do alemão "carro da cerveja", no qual passeiam homens, mulheres e crianças devidamente trajadas tipicamente, tocando, cantando e distribuindo chopp gratuitamente. No decorrer da festa acontece também uma noite cultural denominada "Lustiger Tiroler Abend", do alemão "Uma Alegre Noite Tirolesa", onde acontecem diversas apresentações folclóricas.

Atrações Folclóricas do Município

-Grupo de Danças Folclóricas Alemãs Westfalen

-Grupo de Danças Italianas Volare

-Grupo de Danças Austríacas Lindental

-Grupo de Danças Folclóricas Alpen Master

-Grupo de Danças Folclóricas Schuplater

-Grupo de Danças Folclóricas Tirolerplater

Na Trilha da Ana Raio e Zé Trovão – 33 km

O circuito de 33 quilômetros passa por povoados autríacos e italianos. Leva o nome da novela Ana Raio e Zé Trovão pois algumas localidades do trajeto serviram de cenário para essa novela que está sendo reprisada no SBT.

Além da beleza da natureza que cerca todo o trajeto, a arquitetura mostra a origem dos colonos de uma forma marcante. Passamos pela igreja Babenberg - a primeira da região, local onde os imigrantes se instalaram quando chegaram ao município. Lá é possível percorrer um sensacional singletrack passando pela Via Sacra e a bela Gruta de Nossa Sra Aparecida. Em maio, no dia das mães, e em 12 de outubro, no dia de Nossa Senhora Aparecida, seguem romarias até a Gruta com missa e festa.

 

De lá, após muitas subidas e descidas, cortamos a comunidade de Linha Pinhal que mantém viva a cultura italiana, presente na arquitetura, nas cantinas que oferecem produtos coloniais, como queijos e vinhos: paradas obrigatórias para degustação.

Caminho da Vinícola da Serra – 65 km

São 65 quilômetros por uma pedalada bem dura, na rota que batizei de "Caminho da Vinícola da Serra" em referência à vinícola de mesmo nome que passamos no caminho. A rota segue por um trecho bem italiano da região. No meio do caminho uma parada para visita à vinícola, degustação de vinhos, queijos e outras iguarias na vinícola da Serra. Como o trajeto é bem difícil recomendo para quem não está bem preparado fisicamente combinar um resgate na Vinícola da Serra.

Travessia Treze Tílias a Salto Veloso

São apenas 20 quilômetros todo por estradinhas de terra. Em minha opinião, o trecho mais bonito da região. Apesar de curta, a pedalada é bem dura devido às muitas subidas e pedras pelas estradinhas da região. No caminho novamente cortamos povoados das mais diversas culturas que imigraram para a região. Dependendo da época vamos encontrar pêssegos, parreiras cheias de uvas e até maçãs. A pequena cidade de Salto Veloso é tipicamente italiana. Quase no centro da cidade uma enorme cachoeira que dá o nome à cidade é uma das principais atrações.

Se tiver pernas, vale seguir até a cidade de Arroio, distante uns 15 quilômetros por terra, e ficar hospedado por lá para no dia seguinte subir até o mirante da Nossa Senhora a quase 1.500 metros de altitude com um visual de 360 graus de toda a região.

Após qualquer pedalada, indico jantar no restaurante Kandlerhof e se encantar com as histórias de sua proprietária Clotilde.

Distâncias:

Florianópiolis – 470 km

Curitiba – 370 km

Chapecó – 190 km

Litoral de SC – 400 km

Onde ficar e com quem pedalar:

Treze Tílias Park Hotel – O responsável pelo hotel, Ademir Parizotto, mais conhecido na cidade como “Nego”, conhece praticamente todas as estradinhas da região e oferece aos hóspedes do hotel carro de apoio e as mais diversas opções de pedaladas.

Quando ir:

De maio a agosto. É quando a temperatura está mais amena e agradável para pedalar.

 Quem leva:

O Sampa Bikers organiza grupos fechados para pedalar na região, mais informações ligue 11 5517 7733 ou visite o site sampabikers.com.br.

 

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Pietro Petris

08/10/2012 às 15:50

Que roteiro! Pena que esse país só tem olhos pra futebol e mma.
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