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Entrevista - Mário Roma

Revista Bicicleta por Mário Roma
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15/10/2012
Entrevista - Mário Roma
Foto: Acervo

Português, natural de Lisboa, Mário Roma tem um currículo tão extenso quanto as distâncias que adora encarar pelo mundo. Primeiro ciclista em Portugal e no Brasil a participar de Ultramaratonas de MTB, foi abrindo as portas e estimulando bikers em ambos os países, seguindo seu lema "pessoas comuns em lugares incomuns". Casado com Andrea, pai de duas filhas: Giulia e Sophia, administrador de sua agência de Marketing - a Roma Comunicação - ele ainda realiza os maiores eventos de ciclismo do Brasil, e consegue treinar para obter resultados incomuns, como medalha de bronze no mundial solo de 24 horas Master, nono lugar Master na Cape Epic (ele e seu parceiro se conheceram 15 minutos antes da largada). Este ano venceu duas Ultramaratonas, uma no Chile e outra no Canadá, embarcando na TAP, em Guarulhos, como se já fosse tripulante, de tantas horas de vôo. Até setembro, Mário já tinha participado de 4 eventos na Europa. Pesquisando no Google, são mais de 50 mil páginas sobre esta figura. Ver o que ele já fez e ainda continua fazendo, é para deixar qualquer um cansado. Como será que ele não fica? Vamos tentar descobrir o segredo deste português, apaixonado pelo Brasil, homem de família, amigo dos seus amigos, que sempre tem tempo para todos e adora somar.

O que é o esporte para você, e quando ingressou nele?

ROMA - Esporte fez parte da minha educação escolar em Portugal. Nas escolas portuguesas, o ensino do esporte é muito forte e completo. Comecei a competir cedo, e com 8 anos ganhei meu primeiro título de Campeão Português de vela na categoria Otimist.

Qual foi sua maior conquista no esporte ?

ROMA - As amizades que fiz pelo mundo, através do esporte, passando por Vela, Surf e Bike, sem dúvida são o maior legado de 40 anos de esporte.

Em cada momento, em cada fase, existe uma dificuldade. Vencer a mim mesmo é minha maior conquista. Quando treinava para as olimpíadas de vela, eu tinha uma vida focada nisso: eram aqueles milésimos de segundos, aqueles milímetros a mais. Hoje, os desafios são outros: arrumar tempo para treinar entre pegar as crianças na escola, trânsito, empresa... No fim, as dificuldades continuam, e o prazer da conquista é o mesmo. Vencer essas dificuldades é sentir o prazer da conquista, e esse prazer está presente nas competições. Quando o atleta perde esse prazer, deixa de competir. Medalhas acabam em gavetas, garagens e clubes. Títulos, ninguém lembra. Mas de um bom amigo ninguém esquece. Uma boa risada, uma viagem, um bom vinho, uma boa refeição, um visual inesquecível: isso é que fica gravado, é perpétuo.

Como a bicicleta entrou em sua vida ?

ROMA - Comecei a pedalar quando fui fazer um estágio nos EUA. Lá, meu vizinho pedalava, e eu fui tomando gosto. Ao voltar para o Brasil, participei de provas de aventura EMA e outras, mas a logística era complicada sendo quatro elementos. Em uma de minhas viagens, comprei uma revista onde tinha as maiores provas do mundo e a maior era a Transalp 600km e 22000 metros de ascensão. Resolvi encarar isso como estréia, em 2003, e não parei mais.

O que a bicicleta representou e representa para você até hoje no campo da competição ?

ROMA - A bicicleta faz manter o espírito de competição aguçado dentro de mim. Mesmo morando numa cidade com 12 milhões de habitantes, tendo uma família e uma empresa para administrar, treino todos os dias na USP de Speed, e fins de semana ando de Mountain Bike.

Como você vê o ciclismo brasileiro e mundial hoje? 

ROMA - O ciclismo no mundo inteiro está crescendo, talvez porque estamos falando de ciclismo e não mais só MTB, Speed, BMX, etc. Agora, se fala de ciclismo como um todo: competição, lazer, qualidade de vida, solução para grandes cidades... Interligar a bike com um todo e o esforço, a nível profissional, de combater o doping, dando uma imagem mais limpa para o esporte, faz o ciclismo crescer muito. No Brasil, dá para sentir que o ciclismo virou discurso político, produto de publicidade de grandes empresas. Esse crescimento é travado por alguns motivos, como o alto valor dos impostos sobre os produtos, falta de infraestrutura para a prática do esporte, respeito pelos ciclistas nas estradas, pistas em parques para praticar Mountain Bike e a segurança, que é um grande problema nacional.

"A bicicleta faz manter o espírito de competição aguçado dentro de mim"

Fale do relacionamento Mário Roma - Patrocinadores".

ROMA - O significado de “patrocinador é pessoa física ou jurídica que assume a responsabilidade financeira e assistencial, de manutenção, marketing e promoção, de uma pessoa, grupo, time, equipe ou eventos”. Porém, existe o lado do patrocinado, que a meu ver, consiste em entregar o que foi vendido ao patrocinador. Tendo isso sempre em mente, a relação vai se solidificando a cada ação. Várias empresas são minhas parceiras desde o início, e fomos construindo uma relação muito sólida e profissional. A Brasil Soul MTB, minha equipe de MTB, conta com o apoio da Ethika suplementos, Star Soft, Scott, Magura, Ergon, Topeak, Barbedo, Continental, Fisik, Thule e em conjunto com os eventos, a Claro, Mitsubishi, Tap e Shimano. Através de um trabalho sério, acabamos atraindo essas quatro grandes empresas, que são sinônimo de sucesso empresarial em diversos segmentos. A Claro se posicionou no esporte nacional abraçando o ciclismo como seu esporte oficial, assim como a Mitsubishi, Tap e Shimano são empresas que estão envolvidas nos projetos como um todo. A nossa entrega está dentro do contratado, e sempre surpreendemos. Trazer grandes empresas para o ciclismo foi uma barreira aberta pela Roma Comunicação, no Brasil. Isso é um fortalecimento muito grande para a identidade do ciclismo. Também mostra que existe potencial, e que é possível fazer grandes eventos de bike, saindo das mídias especializadas, assim como atrair outras grandes empresas e fazer com que mais agências de propaganda comecem a olhar para o ciclismo como um produto rentável.

O que representa para você realizar a Claro 100k ? 

ROMA - Um desafio gigante. No Brasil, não existia uma Copa Amadora de Ciclismo, ainda mais com 100k. Largamos na primeira etapa com mil atletas e, devido a um problema de falta de chip, 500 atletas ficaram de fora. Enfrentamos inúmeras barreiras. Se pensar em fazer uma maratona a pé, é possível fazer dentro de uma cidade, mas quando se pensa em fazer o mesmo percurso de bike, já é recusado por todos. Aos poucos, e com o apoio de amigos e órgãos do governo, fomos realizando as etapas da Claro 100k, no Rio de Janeiro, Campinas, Brasília e Campos do Jordão. São mais de 20 toneladas de equipamentos, 140 pessoas trabalhando, 6 carros da Mitsubishi, 18 motos, 4 fotógrafos, 4 câmeras-man, helicóptero, médicos, moto - paramédicos, UTI, banheiros na arena e áreas de apoio, frutas, água, refrigerante isotônico, sempre gelados, e gel para os atletas, além de uma infraestrutura completa para toda a família, pois acredito que além de uma prova, estamos realizando um evento, e como tal, tem de atender toda a família.

A Claro Brasil Ride tem uma emoção diferente, não?

ROMA - Lógico! Aí é minha praia, meu xodó. É uma pena eu não ter tido 365 dias completos para trabalhar nesse projeto, mas esta aí, vai acontecer a maior prova de MTB por etapas no Continente Americano aqui no Brasil: que mais eu poderia querer! Os maiores nomes do ciclismo da atualidade, mídias de todo o mundo, em um percurso que, para mim, é maravilhoso, único. Já pedalei em muitos lugares do mundo, e tenho a certeza que todo o mundo ficará encantado com o que vão encontrar na Claro Brasil Ride. O apoio das Prefeituras de Mucugê e Rio de Contas está sendo fenomenal, assim como o apoio de empresários da região e o apoio do Governo da Bahia, através do Secretário do Turismo, Carlos Tramm.

Fale sobre o Mário Roma publicitário.

ROMA - Daí só vem ideias. Quando as pessoas falam que Mário Roma faz isso, faz aquilo, puro erro. Eu me limito a ter algumas ideias e a procurar parceiros que apoiam minhas ideias. Depois, entra em ação minha esposa e sócia Andrea, com uma equipe maravilhosa que temos na Roma Comunicação. O ambiente de trabalho é muito profissional, mas sempre com inúmeros momentos de risadas e descontração. Procuramos a todo o momento nos divertir com o que estamos fazendo. Esse é um elemento que faz toda a diferença em nossos trabalhos: é feito com prazer e paixão. Tem uma frase que, para mim, é o lema da Roma Comunicação: "Espírito de equipe é o combustível que permite pessoas comuns atingir resultados incomuns". Acredito que só terei bons resultados, rodeado de pessoas no mínimo melhores que eu. Tenho conseguido me cercar dos melhores profissionais do mercado e manter um bom ambiente de trabalho entre todos. Sou muito exigente comigo mesmo e acho que isso acaba, por osmose, passando para todo o grupo. Adoro observar, e talvez esse prazer, associado a viagens, dá a luz para produzir ideias e soluções diferenciadas para o mercado.

Qual foi sua maior conquista na vida?

ROMA - As minhas duas filhas, Giulia e Sophia. Elas são a minha razão de vida.

Fora das pistas, quem é Mário Roma?

ROMA - Pergunta difícil essa, falar de mim mesmo... Mas tem uns princípios pelos quais me guio: "não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você mesmo", adoro somar e dividir minhas experiências com outras pessoas, não tenho time de futebol nem partido, tenho amigos em todo mundo, de todas as idades, raças e níveis sociais, minha maior paixão é viajar, sou muito família e caseiro, adoro uma boa comida e um bom vinho, como todo português. Dou muito valor aos meus amigos, pois além da família, só eles podem nos ajudar em tempos difíceis. Sou muito transparente, aí às vezes o bicho pega, porque não tenho o hábito de mandar recados, quando algo não me agrada, vou cara a cara e falo para a pessoa na hora.

Onde entra a bicicleta no seu dia a dia e de sua família?

ROMA - O quinto elemento... a Andrea, Giulia, Sophia e trabalho são as minhas quatro prioridades. Aí entra a bike, quase como um elemento molecular dos quatro, pois a bike está inserida em nossas vidas. Todos em casa pedalam. No trabalho, é uma presença diária: minha Scott mora na minha Mitsubishi Dakar, pois treino todos os dias.

Como você vê a evolução do uso da bicicleta como um todo no Brasil?

ROMA - A cada dia temos mais ciclovias nas grandes cidades brasileiras. Para algumas delas, como São Paulo, já vejo como uma das melhores soluções para o trânsito. No Rio de Janeiro já existe um forte projeto, e é crescente o número de pessoas usando bike. Hoje, em São Paulo, é normal ver pessoas de terno, ou até mesmo mulheres de tailleur pedalando. É super legal.

O que você acha que pode ser feito a fim de ajudar mais e mais pessoas a despertar para o uso da bicicleta?

ROMA - Criação de ciclovias e trilhas em Parques Nacionais, e a redução dos impostos sobre bicicletas e seus produtos.

Para você, o que representa a bicicleta?

ROMA - Qualidade de vida. Usando a bicicleta, seja competindo, passeando ou de qualquer outra forma, estamos cuidando de nosso corpo e mente, pois a bike é extremamente saudável e relaxante. Ela nos transporta para a infância: aquela sensação de liberdade, o vento no rosto... Da primeira pedalada, todos lembram! E, psicologicamente, é um escape para o dia a dia, pois mesmo sendo uma atividade esportiva, é extremamente social. Você consegue praticar com toda a família ou pedalar com amigos, batendo um papo ou simplesmente se desligar e curtir a liberdade que a bicicleta oferece.

E 2011, o que podemos esperar?

ROMA - Muitas novidades. A Claro 100k terá novidades para os atletas, com a possibilidade de ter equipes particulares correndo o circuito, além das assessorias esportivas, desta forma aumenta a disputa nas escuderias e contra relógios. A Claro Brasil Ride terá mais duas etapas e novos patrocinadores, estamos recebendo solicitações de outras grandes empresas nacionais. Novos desafios também já estão na pista de lançamento. A Roma Comunicação vai ser a agência responsável pelo lançamento da RC bikes no Brasil, uma nova marca internacional. Há diversos investidores nos consultando para formação de equipes profissionais de ciclismo, MTB e outros desafios que ainda não posso divulgar. Como atleta, estou empolgado em enfrentar novas ultra-maratonas na Oceania e Ásia.

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