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Planejamento X Tempo

Revista Bicicleta por Antônio Olinto
38.257 visualizações
15/10/2012
Planejamento X Tempo
Foto: Rafaela Asprino

Apaixonado por cicloturismo que sou, costumo enfatizar as vantagens de uma viagem de bicicleta. Entretanto, devo reconhecer que, viajando em uma velocidade natural, ou seja, numa velocidade em que temos a possibilidade de absorver todas as nuances do mundo ao nosso redor, necessitamos de mais tempo do que quando utilizamos um veículo automotor. Quanto mais restrito o tempo, maior a necessidade de planejar. O cicloturista só pode planejar bem sua viagem com informação de qualidade, o que é raro.

Mais que saber quantos quilômetros existem entre uma cidade e outra, é importante saber suas capacidades físicas, o perfil altimétrico do caminho, pavimento, pontos de abastecimento, etc. Tantas informações geralmente só podem ser encontradas em guias de cicloturismo especializados, ou em alguns circuitos consagrados de cicloturismo.

Quem pretende viajar de bicicleta deve treinar antes utilizando um odômetro bem calibrado, pois só assim saberá, com certeza, suas capacidades diárias de deslocamento. Caso não tenha informação de qualidade sobre o percurso que pretende fazer, planeje com folga: guarde energia para o final do dia e para o dia seguinte, carregue água e comida sobressalente. Pense sempre que seu treinamento diário geralmente ocorre em condições ideais, que não correspondem à realidade de uma viagem com todo o equipamento sobre a bike. Em viagens mais longas, quando a empolgação dos primeiros dias passa, e enquanto não chega a empolgação pela concretização da viagem, bate um desânimo que pode ser facilmente curado com um dia de descanso.

Em viagens de mais de uma semana, conte pelo menos um dia de folga para cada cinco de pedal, afinal, mesmo um cavalo que trabalha no campo necessita de folga a cada quatro ou cinco de trabalho duro. Mesmo que leve em equilíbrio seu pedalar, e que não esteja assim tão cansado, o dia de folga serve para ser preenchido pelo imprevisto que, a rigor, deve acontecer em uma viagem de bicicleta.

Em minha volta ao mundo nunca tive informações de qualidade; de toda forma, seguia um planejamento anual, pois sabia que deveria evitar ser pego pelo inverno em grandes altitudes ou latitudes, ou chegar a uma região no começo da temporada das chuvas. Havia também um planejamento mensal onde pesava muito as datas de visto dos países em que estava, e dos que iria entrar e/ou onde poderia consegui-las. Meu cálculo de deslocamento rondava os 2.000 km por mês, dependendo do relevo da região e das atrações que desejava ver.

Desta forma, deixava o dia a dia bastante flexível para absorver as inúmeras variantes implanejáveis que vão além do perfil altimétrico e dados técnicos: chuva, neve, vento, problemas mecânicos ou simplesmente o desânimo próprio de uma manhã, após uma noite mal dormida. Quando digo que o imprevisto deve acontecer, não é somente uma probabilidade real de fatalismos, pois nem sempre o imprevisto é negativo.

Imagine um dia ideal... Caminho reconhecidamente plano, com asfalto bom, temperatura agradável, vento a favor. Você acorda disposto e o planejamento para o dia é fazer uns 100 km em sete horas, a 15 km/h, passando pelas cidades A, B e C. Assim, pedala por mais de uma hora até fazer sua primeira parada de descanso. Ao seu lado senta um senhor simpático, que começa a contar belas e interessantes histórias da região.

Depois de cinco minutos, você deveria seguir pedalando para cumprir seu cronograma ou continuar a conversa? Qual o objetivo de uma viagem? Onde está o objetivo: chegar na cidade C ou viver, conviver e aprender com a região? Sempre que falo de planejamento em cicloturismo, enfatizo que tudo é muito simples apesar de não ser fácil. O cicloturista pode usar sua energia para viver a viagem e não simplesmente executar um plano de viagem.

Esta flexibilidade só é possível com tempo. Todos nós temos 24 horas de tempo por dia, e mesmo assim, o tempo tem sido considerado o bem mais caro do homem moderno. Por isto, quando planejar uma viagem de bicicleta, seja generoso consigo mesmo e entregue a você mesmo aquilo que já é seu – o tempo necessário para viver a intensidade de uma viagem de bicicleta. 

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ANTONIO CARLOS DOMINGOS CÉSAR CÉSAR

02/06/2013 às 23:06

Gostei da reportagem de viagem X tempo, concordo que deve ter tempo o suficiente, pois, já fiz viagem com tempo amarrado e não é legal, faça um roteiro menor com tempo de sobra vale a pena, pense bem no que vai levar, se for fazer cicloturismo auto-suficiente, pois, PESO X TEMPO, pode comprometer a viagem, e caracterizar falta de planejamento. Reportagem show.
César " O Peregrino do Pantanal"
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