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A Melhor Bicicleta para o Cicloturismo

Revista Bicicleta por Antônio Olinto
15/10/2012
A Melhor Bicicleta para o Cicloturismo
Foto: Shutterstock

É difícil precisar quando surgiu o cicloturismo, afinal seu conceito ainda não é pacífico. Para mim, ele surgiu junto com as primeiras bicicletas, quando em 1818, o barão alemão Karl Friederich Von Drais, inventor de uma das precursoras da bicicleta, moveu-se com seu artefato conhecido como “draisiana” de Beaun a Dijon, na França (pouco mais de 50 km). A draisiana ainda não tinha pedais, mas já tinha dirigibilidade, e significou uma grande evolução se comparada com o antecessor, o celerífero, propiciando a locomoção em uma distância já bem razoável.B

As bicicletas de cicloturismo também evoluíram durante a história, e geralmente derivaram dos modelos que existiam na época desta ou daquela viagem. Como constante, temos sempre um quadro longo com um grande ângulo de caster (proporcionado pela maior inclinação do garfo), que lhe confere estabilidade. O quadro deve possuir vários pontos para fixação de bagageiros e caramalholas, e manter a postura do cicloturista tanto quanto possível ereta, apropriada à apreciação da paisagem, ou seja, muito parecida com aquelas velhas bikes de nossos avós.

Para grandes viagens, o melhor material é o cromo-molibdênio: uma liga muito forte utilizada em ponta de escavadeira e na produção de armas de fogo. Com ele, os tubos podem ser bem finos e quase tão leves como os de alumínio, com a vantagem de serem facilmente soldados em caso de quebra.

Sou de um tempo em que a gente simplesmente ganhava a bicicleta que costumava ser do irmão mais velho, entretanto, sempre tive como ideal uma bicicleta feita sob medida. Imaginava que poderia tomar as medidas de todas as partes de meu corpo, depois fazer incríveis cálculos matemáticos e obter as medidas de um quadro ideal para mim.

Acredito que tudo isto não faça parte da realidade da maioria absoluta das pessoas, especialmente em nosso país, onde não é fácil encontrar uma bicicleta de cromo-molibdênio. Na volta ao mundo utilizei uma assim, mas desde então tenho utilizado boas bicicletas de alumínio sem nenhum problema.

Quando busco um quadro com vários pontos para fixação, é sempre mais fácil encontrar esta característica em bicicletas de menor valor agregado, o que mais uma vez é uma vantagem, afinal, a melhor bicicleta é aquela que nunca vai me dar medo de viajar com ela.

Com toda a diversidade do moderno capitalismo globalizado, quando chego a uma loja boa e especializada, mesmo as marcas mais famosas só oferecem quadros a cada duas polegadas (16, 18 ou 20), quando deveria ser a cada meia polegada. Ao observarmos bem o que isto significa, vemos que este tamanho se refere, praticamente, à barra onde está o canote de selim (tubo de selim), o que não muda muito a geometria da bicicleta como um todo.

Na verdade, bicicletas específicas de cicloturismo são raras em todo o mundo, e justamente por isto, acabam deixando de ser as melhores para cicloturismo.

Atualmente, a maioria dos cicloturistas utilizam bicicletas de montanha tendo em vista sua resistência, diversidade de oferta e facilidade para encontrar peças de reposição por todo o mundo.

Trocando algumas peças como o selim, canote de selim, mesa de guidão, guidão ou simplesmente levantando o bar-end, podemos conseguir a postura ideal para o nosso próprio estilo de pedalada; o mais difícil é achar uma bicicleta de montanha com quadro mais longo e estável. Mas para que? A maior parte dos cicloturistas com quem converso pretende fazer viagens por caminhos de terra, que combina muito mais com um quadro de montanha que com um quadro clássico de cicloturismo.

Isto pode parecer bastante empírico, pouco técnico, talvez fosse melhor apresentar uma fórmula matemática para achar seu quadro ideal, mas eu não acredito nisto. Quando li o livro Programa de Treinamento do Lance Armstrong percebi que eu estava certo. Com todos os recursos e patrocínios, Lance menciona que teve que experimentar inúmeros guidões antes de escolher qual iria utilizar na competição. Ou seja, não há formulas, o certo é experimentar e decidir com sensibilidade.

Talvez a melhor bicicleta para começar a fazer cicloturismo seja aquela que você tem aí em casa:
- Mas ela é muito pesada.
Ótimo, assim já saberá o que é pedalar com peso.
- Mas ela está quebrada.
Ótimo, ela vai te ensinar como arrumar uma bicicleta; é importante saber isto para viajar.
- Mas ela está velha.
Ótimo, ela vai te ensinar a durabilidade das peças e que peças deve trocar primeiro; isto é muito importante para saber planejar e estar prevenido antes de atravessar uma região desolada.

O melhor de tudo é que com ela você já pode usar e aproveitar os benefícios de andar de bicicleta, ao mesmo tempo em que adquire experiência sobre o que é realmente vital em uma viagem de cicloturismo.

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Comentários
2 comentários.

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Carlos Alberto Duarte

28/01/2014 às 06:35

Fiquei muito tempo sem pedalar distancias maiores, e agora pretendo fazer uma viagem de Cabo Frio RJ a Itaoca ES. Tenho duas bicicletas, uma é Monark barra forte e a outra, nem sei a marca. Todas duas comprei usadas. Sinto-me mais confortável na Monark, porém ela tem seus defeitos: Os freios são ruins e os aros e raios são de ferro. Enferrujam com facilidade. Estes, vou trocar. Aros de aluminio e raios inox, porém os freios terei que adaptar.
Já adaptei marchas, e ficou muito bom! A outra bicicleta está completa, porém tenho dormencia nas mãos no decorrer das pedaladas. Se alguém tiver alguma dica ai quanto adaptação de freios Vblake e também sobre estas dormencias nas mãos, eu agradeço muito.
Desejo a todos(as) os(as) ciclistas um 2014 cheio de aventuras.
Abraços

Marcelo Lagoa de Almeida

27/04/2013 às 12:16

"Pedaleiros de primeira viagem" sempre ficam perdidos na hora de comprar a melhor bicicleta (relação custo/benefício) apropriada ao seu estilo ou ao uso que vai fazer da bike, assim como fazer também o tipo de up-grade necessário para transformar uma bike usada no veículo ideal. O site deveria postar uma "tabela comparativa" entre as diversas marcas e modelos existentes no nosso mercado brasileiro. Uma tabela do tipo aquelas que se vê por aí em sites especializados em outros assuntos (por exemplo: tabela comparativa de Smartphones...) Isso seria legal, daria uma boa orientação para quem quer se aventurar numa bicicleta, mas não sabe ainda por onde começar... Abraços ao pessoal da Revista Bicicleta.
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